segunda-feira, 20 de julho de 2009

Apnéia Obstrutiva do sono: cuidado


Raramente as pessoas percebem que têm, mas a doença prejudica a qualidade de vida e pode ser responsável por acidentes no trânsito e no trabalho De 2 a 4% da população têm apnéia do sono. Entre os hipertensos, o índice pode chegar a 30%, já que a apnéia é fator de risco. O mais comum distúrbio respiratório do sono é ocasionado pela obstrução da faringe, que possui causas diversas, entre as quais a obesidade.

Quando acometido pela doença, o paciente tem a entrada de ar no nível da garganta obstruída diversas vezes durante a noite, por períodos de pelo menos 10 segundos - mas que podem chegar a um minuto -, o que impede que o sono seja saudável e o corpo realmente descanse. Além disso, apresenta sintomas incômodos, tais como o ronco habitual e a sonolência diurna.
"Não é um ronco normal", alerta dr. Geraldo Lorenzi Filho, da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia, médico da disciplina de pneumologia do Hospital das Clínicas e diretor do Laboratório do Sono do InCor. "O ronco do paciente que tem apnéia é mais alto e mais irregular", conta, referindo-se a um ronco que ocorre na maior parte dos dias da semana e durante quase toda a noite.

A sonolência provocada pela doença também é relevante. Deve-se à impossibilidade do sono aprofundar-se devido às apnéias e pode ser acompanhada de dificuldades relativas à memória e à concentração. "Este sintoma se revela claramente nas pessoas que sempre dormem e estão sempre querendo dormir ainda mais. Claro que a sonolência pode ter muitas outras causas, mas, se acompanhada de ronco intenso e habitual, são grandes as chances de ser resultado da apnéia", esclarece a dra. Sônia Togeiro, pneumologista, pesquisadora do Instituto do Sono e professora responsável pelo curso de Especialização em Medicina do Sono da UNIFESP.

O exame que diagnostica a doença é a polissonografia - estudo do sono - em que o paciente é analisado pelos especialistas enquanto dorme. Segundo a dra. Sônia, há gravidades diferentes da doença, determinadas em função número de apnéias registradas no exame de polissonografia e da intensidade da sonolência. "Quanto maior o número de apnéias e quanto mais intensa a sonolência provocada, mais grave a apnéia".

Dr. Geraldo explica que, em todas as pessoas, a musculatura relaxa durante o sono, mas apenas nos que possuem fatores específicos isto se traduz em obstrução da passagem de ar. "São várias possibilidades: obesidade, garganta estreita, queixo retraído e outras alterações da anatomia".
A anormalidade do ronco e da sonolência e, em quadros mais adiantados, a perda de memória e dificuldades de concentração são motivos suficientes para a procura de um médico, especialmente em casos de obesidade ou hipertensão arterial (pressão alta).

Há pacientes que sofrem as conseqüências da apnéia durante décadas e não procuram o especialista. "A maior parte das pessoas não percebe que tem a doença, pois acaba habituando-se aos sintomas", afirma dr. Geraldo. "Em geral, somos procurados pelas esposas, que não conseguem conviver com o ronco alto", acrescenta dra. Sonia.

A apnéia pode ser mais grave a ponto de prejudicar seriamente a qualidade de vida do paciente, trazendo incômodos, como dificuldades de memória e concentração, problemas sexuais, tendência a engordar, e ocasionando acidentes de trânsito e trabalho.
Nas versões mais leves, atitudes simples - como perder peso e evitar bebidas alcoólicas e medicamentos para dormir (hipnóticos) - podem resolver o problema definitivamente.

Outra possibilidade, destacada pelo dr. Geraldo, é a utilização de uma prótese que avança a mandíbula do paciente, possibilitando a passagem do ar. Este é um aparelho ortodôntico que, ao avançar a mandíbula, reposiciona a língua, com função semelhante à da prótese. Existem, ainda, as cirurgias, mas costumam ser eficientes somente em crianças.

O tratamento nos casos moderados e graves se baseia em um equipamento chamado CPAP (pressão positiva contínua na via aérea). Trata-se de uma máscara de uso noturno, acoplada a um aparelho de pressão positiva, que gera e envia fluxo de ar, abrindo a faringe e possibilitando a normalização da respiração. A pressão positiva gerada pela CPAP impede que a faringe se feche durante o sono nos pacientes com apnéia, que, com o uso do aparelho, passam a ter um sono normal e reparador.