terça-feira, 11 de agosto de 2009

Precavendo-se contra a Gripe Suína

Reproduzo abaixo excelente texto do Restaurante Metamorfose sobre como prevenir da gripe suina.
O Texto também está disponível no link abaixo:

Li recentemente uma entrevista com Alfred W. Crosby, autor de um clássico sobre a Gripe Espanhola de 1918 e um dos fundadores da história ecológica. No desenrolar da entrevista, Crosby afirma ver semelhanças entre a pior epidemia da história e a gripe suína: ambas se originaram em porcos e ambas são causadas pelo mesmo vírus influenza, o tipo A (H1N1). A primeira onda de Gripe Espanhola foi branda, como parece ser a onda de gripe suína. A segunda, porém, de agosto a novembro de 1918, foi fatal. O problema é que, segundo Crosby, haverá uma segunda onda de gripe suína, que começará em agosto e se estenderá até novembro. Ninguém sabe se continuará branda ou se voltará mais agressiva. A vacina só estará pronta em finais de setembro. O jeito é contar, não com a própria sorte, mas com a própria imunidade.
Preocupado, revirei meus arquivos e acabei encontrando um artigo de Herman Aihara com sugestões práticas para fortalecer a imunidade. Achei que, nesses tempos sombrios, valeria a pena traduzi-lo e divulgá-lo. A primeira parte, mais teórica, não deixa de ser importante, pois o entendimento, fortalecendo o espírito, também fortalece o corpo.
Os Dois Conceitos de Imunidade
Se buscares informação sobre o sistema imunológico, certamente depararás termos como “células T” e “anticorpos”. Do ponto de vista macrobiótico, entretanto, a imunidade original, autêntica, ordinária, nada tem a ver com aquelas estruturas. Já percebes, então, que o conceito de imunidade não é algo pacífico. Na verdade, há o conceito de imunidade específica, fruto de um desenvolvimento mais tardio da teoria dos mecanismos de defesa, levado a cabo pela medicina ocidental; e há o conceito de imunidade não específica, valorizado pela macrobiótica por dar conta de uma das mais belas expressões da sabedoria inconsciente da natureza.
A imunidade não específica faz parte da homeostase (tendência à estabilidade do meio interno do organismo). Não deve ser ela, portanto, confundida com os mecanismos de defesa da imunidade específica, os quais, fenômenos de ação retardada, são acionados apenas num segundo momento, quando os expedientes mais imediatos se mostraram incompetentes.
Como a imunidade não específica funciona? Essencialmente por meio da desidratação de micro-organismos. Segundo Brock, Smith e Madigan, na obra Biology of Microorganism, “Se o meio é mais concentrado do que a célula, a água flui desta para aquele, resultando na desidratação da célula e no colapso do protoplasma, processo conhecido como plasmólise. É por isso que os alimentos são protegidos da contaminação bacteriana quando conservados em salmoura.” A plasmólise nada mais é do que o resultado da imunidade não específica. Manter os fluidos corporais (plasma, linfa, líquido intersticial e outros) mais concentrados do que as bactérias e microorganismos é a própria imunidade não específica agindo.
Lemos em Biology of Microorganism que a concentração de solutos de uma bactéria é da ordem de 10 milimols. Contudo, segundo a obra Basic Human Physiology de Guyton, a concentração de solutos do plasma e do líquido intersticial é de aproximadamente 300 milimols. Ou seja, se uma bactéria se introduzir no plasma ou no líquido intersticial, sofrerá desidratação e morrerá em virtude da diferença gritante entre sua própria concentração de solutos e a dos fluidos corporais (10/300).
Entretanto, se alguém bebe excessiva quantidade de líquidos (água, café, chá, refrigerantes, cerveja, vinho), se alguém ingere muita fruta ou faz uso de uma dieta sem sal, os fluidos corporais tornam-se menos concentrados. Se a concentração dos fluidos se apresenta apenas ligeiramente maior que a das bactérias, estas podem perder líquido, mas não o suficiente para morrer. O resultado são bactérias com concentrações mais altas, que se multiplicarão e darão lugar a uma nova linhagem de micróbios. Mais resistentes, essa nova estirpe não se intimidará com os antibióticos convencionais da medicina moderna.
Hoje em dia, a medicina moderna está ocupada em descobrir novas drogas para combater as diversas doenças infecciosas que ameaçam a humanidade. A meu ver, porém, é a imunidade não específica que pode prevenir aquelas infecções. E fortalecer a imunidade não específica, por meios simples e universais, sem cair na ilusão de que drogas podem fazê-lo, é o objetivo da macrobiótica.
Fortalecendo a Imunidade Não Específica
Para viver sem escravizar-se aos antibióticos, é preciso fortalecer a imunidade não específica. O que segue são conselhos para atingir tal objetivo:
1) Coma uma boa quantidade de carboidratos complexos (50% ou 60% do total do alimento ingerido). As principais fontes de carboidratos complexos são os cereais integrais. Sopa de missô também estimula a imunidade.
2) Coma alimentos integrais e naturais. Grãos integrais, vegetais e algas marinhas fornecem a quantidade suficiente de vitaminas necessárias à digestão e assimilação de proteínas, carboidratos e gorduras. Além disso, os alimentos integrais contêm minerais que ajudam a manter em dia nossas condições físicas e psicológicas.
3) Evite alimentos aos quais foram adicionados produtos químicos, aditivos artificiais e conservantes.
4) Não coma tofu ou feijões todos os dias, pois são demasiado yin.
5) Solanáceas tais como tomate, berinjela, batata inglesa e pimentão devem ser evitadas porque enfraquecem a imunidade.
6) É importante ingerir regularmente, mas com parcimônia, os seguintes condimentos macrobióticos: gersal, umeboshi, picles com farelo de arroz, molho e pasta de soja. Tais condimentos contêm boa quantidade de sal na forma de íons sódio, os quais fortalecem as células brancas, as células da linfa e, portanto, a imunidade.
Entretanto, se forem usados em excesso, provocarão forte atração por líquidos, frutas, doces, alimentos gordurosos e estimularão a glutonaria. Use-os moderadamente, portanto. Sal marinho, molho e pasta de soja deveriam ser reservados para o preparo do alimento na cozinha e nunca adicionados ao prato já servido à mesa.
Esses condimentos macrobióticos devem ser produzidos com água da fonte ou subterrânea. Não devem conter corantes, aditivos químicos ou glutamato monossódico.
7) Beba só o necessário. Isso concentrará os fluidos corporais, fortalecendo a imunidade.
8) Os vegetais podem ser ingeridos crus ou cozidos. Aqueles que adotaram um regime carnívoro por muito tempo, têm acúmulo de yang e o sangue acidificado. Para eles, a ingestão de vegetais crus é mais indicada.
Prefira vegetais locais e da estação. Vegetais orgânicos são a melhor opção.
9) Use a quantidade adequada de sal. Na minha opinião, sem uma concentração apropriada de sódio nos fluidos corporais não há imunidade. Sódio é o elemento alcalino mais yang; ele fortalece o sistema imunológico e previne infecções como candidíase, herpes, sífilis e Aids.
10) Evite doces e bebidas açucarados, bem como frutas, sorvetes, melado, malte de cereais e mel. Todos eles contêm carboidratos simples e podem promover infecções oportunistas. Não é necessário dizer que álcool e drogas estão proscritos.
11) Evite fontes concentradas de proteínas, tais como carne, ovos, frangos, carne de porco e peixes. Contêm elas não somente muita gordura, mas originam desejos por açúcar, frutas e outros alimentos doces. Se não se consegue evitar esses alimentos de origem animal, deve-se comê-los então moderadamente. Uma boa alternativa são os peixinhos secos chamados “Iriko”; por conterem muito cálcio, não provocam acidez.
Feijões também contêm muita proteína; por conseguinte, é melhor não comê-los regularmente se existe alguma infecção oportunista. Neste caso, recomendo ingerir feijão azuki somente duas a três vezes por mês.
12) “Last but not least”, esforce-se por mastigar bem. Mastigar diligentemente (cem vezes cada bocado) traz vários benefícios: impede o empanzinamento; separa os bons dos maus alimentos, já que os últimos não sabem bem quando zelosamente mastigados; e reduz a ingestão de líquidos, o que é muito importante quando se trata de fortalecer as células brancas e a linfa.
Fortalecendo Psicologicamente a Imunidade
Com o objetivo de fortalecer a imunidade não específica, devemos alcançar a paz psicológica da mente:
1) É preciso entender, em primeiro lugar, que a imunidade é fortalecida quando a vida corre feliz e radiante. Quando não vivemos em estado de júbilo, a digestão torna-se deficiente e podemos carecer de glucose e proteína. Isso pode enfraquecer a imunidade. Se há preocupação em demasia, somos atraídos para o uso de drogas e bebidas alcoólicas, que, por sua vez, trazem mais infelicidade, dificuldade e estresse.
2) Há sentido, esperança e expectativa na vida. Para deleitar-se com cada dia que rompe no horizonte, é preciso estabelecer um significado para a vida.
3) Faça a quantidade adequada de exercícios físicos, como, por exemplo, caminhada e jardinagem.
Fortalecendo os Rins
De acordo com a medicina chinesa, os rins são o sítio privilegiado do poder imunológico. Nossos fluidos corporais só conseguem imobilizar os micro-organismos (a isso chamamos imunidade) porque contêm muito sódio. Se não há sódio, ou mesmo quantidade insuficiente deste mineral, eles não conseguem dar conta dos invasores. O sódio, todos sabemos, vem do sal. Sal é o mesmo que imunidade. A concentração adequada de sódio nos fluidos corporais constitui a chave da imunidade não específica. Para manter a concentração necessária de sódio em nosso organismo, devemos conservar nossos rins saudáveis.
Para fortalecer os rins:
1) Reduza a ingestão de líquidos e beba apenas o suficiente para aplacar a sede. A maioria dos médicos recomenda beber mais de 2 litros de água por dia. Têm eles como parâmetro uma dieta alta em gorduras, e a sua sugestão leva em conta a necessidade de tornar o sangue mais diluído, prevenindo assim problemas do coração.
Ao beber menos, nós fortalecemos os rins. Quanto menos líquido passar através deles, menos cansados ficarão. Se a carga de trabalho dos rins for reduzida, eles tornar-se-ão mais fortes.
2) Não siga uma dieta sem sal. Sal é o elemento-chave fortalecedor de nossa imunidade. Sem sal, nosso sistema torna-se incapaz de controlar os micro-organismos invasores. Nossos rins é que mantêm a quantidade apropriada de sal em nossos fluidos, e pouco sal faz os rins enfraquecerem.
3) Aplique uma compressa de gengibre sobre os rins todo dia por 20 minutos. (Este serviço está sendo oferecido pelo Restaurante Metamorfose. Informe-se).
4) Aplique de 5 a 7 cones de moxa nos pontos Jin Yu (B23) e San Yin Ko (BP6). (A prática da moxabustão também está sendo oferecida pelo Restaurante Metamorfose. Informe-se).
5) Ao raiar do dia, caminhe descalço sobre a grama ainda coberta de orvalho por 20 minutos.
6) Tome um banho de sal, em dias alternados, durante 20 a 30 minutos, se isso não o deixar cansado e não provocar taquicardia. Caso contrário, não o faça.
Banho de Sal:
Adicione cerca de meio quilo de sal marinho a uma tina de madeira com 45 litros de água aquecida porém não quente demais. Esta solução criará uma pressão osmótica maior do que a existente dentro do corpo e extrairá o excesso de líquidos do organismo. Desse modo, o banho de sal tonificará os rins e aumentará a concentração de sódio nos fluidos corporais sem a ingestão de mais sal.
Exercitando-se
Exercícios físicos são importantes para estimular a circulação sanguínea, objetivando a eliminação dos resíduos metabólicos. Exercícios, contudo, aumentam o metabolismo também. Como resultado, o corpo produz mais resíduos metabólicos, o que implica mais trabalho para os rins. O estresse provocado por exercícios pesados pode enfraquecer os rins. E rins fracos resultam em imunidade fraca.
Após exercitar-se, nunca beba suco de frutas ou bebidas açucaradas. Isso agravará imediatamente as infecções. Beba água apenas o suficiente.