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sábado, 13 de fevereiro de 2016

Macrobiótica Zen - Capítulo I


Nossas postagens jamais substituem orientações médicas, e têm apenas caráter informativo.




A MACROBIÓTICA E A FILOSOFIA DA MEDICINA ORIENTAL
( Transcrição completa do Livro Macrobiótica Zen de George Ohsawa)

A Macrobiótica não é uma medicina empírica de origem popular, uma técnica mística, paliativa, espiritual, religiosa, científica ou sintomática.
A dieta macrobiótica é uma aplicação biológica e fisiológica da filosofia e medicina orientais, uma concepção dialética do Universo Infinito. Tal concepção data de 5.000 anos, e mostra o caminho para a felicidade através da saúde. O caminho da “felicidade por meio da saúde” deve ser acessível a todos, rico ou pobre, sábio ou ignorante; deve ser tanto prático como teórico. Qualquer teoria, seja científica, religiosa ou filosófica, torna-se inútil quando for muito difícil e pouco prática para o uso diário. De outra parte, qualquer arte, prática e técnica, não deixa de ser perigosa se não tiver um fundamento teórico firme. O sistema macrobiótico é muito simples na prática. Qualquer um pode adotá-lo na vida diária, em qualquer ocasião e onde estiver, sempre que genuinamente queira libertar-se de todas as dificuldades fisiológicas ou mentais. Milhares de pessoas, no Extremo Oriente, têm gozado de felicidade e liberdade, de cultura e paz relativa, durante milhares de anos, graças ao ensinamento macrobiótico de Lao-Tsê, Song-Tsê, Confúcio, Mahabira, Nagarjuna, etc., assim como muitos shintoístas, e muito antes deles, dos antigos sábios que introduziram a grande ciência médica da Índia. Os antigos gregos também sabiam que uma mente sadia e clara não pode existir num corpo tenso e perturbado.

Nos dias de hoje, todos esses ensinamentos tornaram-se obsoletos, porque tudo o que tem um começo tem um fim, e a eles se misturaram a superstição, o misticismo e o profissionalismo. É por isso que aqui vos ofereço uma interpretação nova da Macrobiótica. Deveis estudá-la, pois é um pré-requisito para que se possa compreender qualquer filosofia do Oriente.

POR QUE ESCREVI ESTE LIVRO

Por que no Ocidente existem tantos hospitais e sanatórios, tantos remédios e drogas, tantas doenças físicas e mentais? Por que há tantas prisões, tanta polícia e tantos exércitos de ar, mar e terra?
A resposta é muito simples: somos todos doentes fisiológica e mentalmente. Mas, por que isto está acontecendo numa sociedade tão altamente civilizada?
É porque ignoramos completamente a causa real de todo o sofrimento, suas raízes filosóficas, biológicas, morais e psicológicas. Como se explica isto? É porque assim fomos educados. A educação moderna não desenvolve a capacidade que têm os seres humanos de conquistarem sua liberdade, felicidade e justiça. Ao contrário, converte o homem em um “profissional”, ou seja, em um escravo irracional, ou senhor cruel, de mentalidade curta, simplista e presa ao dinheiro.
Felicidade ou miséria, doença ou saúde, liberdade ou escravidão, dependem da maneira como conduzimos nossa vida diária e nossas atividades. Nossa conduta é ditada pelo nosso discernimento.
Este, por sua vez, é o resultado de nossa compreensão da constituição do mundo e do Universo Infinito.

Lamentavelmente, não existem escolas nem universidades onde possamos aprender a discernir, a pensar, e a compreender com clareza e liberdade. As palavras LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE estão inscritas por todos os lados na França. A sua aplicação é, contudo, apenas teórica.
A vida é infinitamente interessante e maravilhosa. Com a única exceção do homem, todos os seres, pássaros, insetos, peixes, micróbios, e mesmo os parasitas, vivem felizes na Natureza: livres de obrigações com respeito a si próprios e para com os outros.

Passei dois anos nas florestas hindus e um nas africanas, e jamais vi um só macaco, crocodilo, serpente, inseto ou elefante, que fosse infeliz, doente ou obrigado a trabalhar para os outros, ou por dinheiro. Entre essas criaturas da Natureza, não encontrei uma que fosse asmática, cancerosa, diabética, reumática, ou vítima de baixa ou alta pressão sangüínea. Todos os povos primitivos que viviam entre eles eram também relativamente felizes, antes da invasão pelos seus “colonizadores”, armados de fuzis, de álcool, de açúcar, de chocolate e de religião. A única norma de vida destes povos primitivos era: quem não sabe se divertir não deve comer.
Sou o único. e talvez o último revoltado de cor amarela, que deseja viver tão feliz quanto os seus ancestrais. Desejaria restabelecer o reino onde, aqueles que não acham prazer em viver, não devem comer; onde cada um deve viver feliz, pois como dizia Epícteto, a infelicidade é culpa de cada um. Nesse reino, não haveria nem empregador, nem empregado, nem laboratório farmacêutico, nem
escolas, nem hospitais, nem “indústria médica”, nem polícia, nem prisões, nem guerra, nem inimigo, porém, todos seriam íntimos amigos, irmãos, pais e filhos, maridos e esposas; não haveria trabalho forçado nem crimes, nem castigos, e todos seriam independentes e autônomos.

Não sou, contudo, um revolucionário, nem tenho a intenção de restabelecer um império mundial aparente: desejaria, simplesmente, convidar algumas pessoas a viverem no meu invisível país das maravilhas, chamado “Erewhon” por Samuel Butler e “Wonderland” por Lewis Carrol, onde temos 365 dias de natal por ano, em vez de um só.
A entrada nele é livre e gratuita, sendo suficiente estudar e passar a viver o regime macrobiótico e compreender o livro que expõe a ,”Filosofia da Medicina do Extremo-Oriente”.

QUE É A FILOSOFIA DO EXTREMO-ORIENTE?

Era uma vez um homem grande e livre chamado “Hou-i”, que encontrou uma curiosa chave de pedra para abrir a porta invisível do Reino dos Céus, “Erewhon” em inglês, que significa “Nowhere)”, de trás para diante (em parte alguma) ou “Moni-Kodo”. Vivia no alto de uma colina, em certo lugar no coração de um velho continente, muito quente durante o dia, muito frio à noite, sem armas, sem instrumentos, sem vestimenta, nem calçado, nem casa, nem papel chamado dinheiro, nem drogaria. Apesar de tudo isso, gozava a vida com todos os seus companheiros, os pássaros, os peixes, as borboletas e todos os animais pré-históricos. Não havia leis, nem ninguém para o obrigar, não havia ditadores, nem ladrões, nem jornalistas, nem médicos, nem telefone, nem vistos em passaportes, nem inspetores, nem taxas. Nada o importunava. Milhões de anos se passaram. A sociedade nasceu e veio, depois, a civilização. Os mestres
apareceram e a educação começou, isto é, mestres profissionais fabricaram imitações da curiosa chave de pedra de Hou-i e venderam-na a preço elevado, visto que todos a queriam. Estas imitações têm sido vendidas muito bem durante milhares de anos, e até o presente momento.

Proponho-me a distribuir a genuína chave do reino da liberdade, da felicidade e da justiça. Ao contrário dos mestres profissionais, gozo fartamente a vida como cidadão desse reino e não estou ligado a posses ou ao dinheiro. Posso, por isso, oferecer essa chave gratuitamente a todos os que se interessam possuí-Ia. A fim de cumprir com a minha missão, expresso-me numa linguagem especial,
quase infantil, que, porém, pode facilmente ser compreendida somente por aqueles que se tornam merecedores de admissão gratuita nesse reino, porque, aqueles que a compreendem, logo recuperam a saúde física e mental, e possuem liberdade, felicidade e justiça. Minha interpretação desse reino é chamada “a filosofia do Extremo-Oriente”, fácil de entender e praticar por aqueles que não foram ainda totalmente dogmatizados, e muito difícil para os que foram educados por mestres profissionais durante longos anos. Sentir-me-ia feliz, se um punhado de pessoas pudesse compreendê-la integralmente. Ofereço esta chave, que, na realidade, é um livro-guia para o Reino-dos-Céus, no qual interpreto a filosofia do Extremo Oriente, de mais de 5.000 anos. É a minha reinterpretação dessa filosofia antiga, que foi completamente falsificada, mutilada e transformada por aqueles que eram chamados “profissionais”, no decurso de milhares de anos, bem como pelos eruditos e pelos “santos” de todas as épocas no passado. Os mestres da civilização atual continuam, infelizmente, com essa mutilação.

A minha nova versão (minha interpretação dessa filosofia antiga) está alicerçada no firme fundamento da medicina do Extremo-Oriente. Esta medicina é uma aplicação fisiológica e biológica da filosofia pré-histórica. Não só essa medicina, mas todas as cinco grandes religiões da humanidade foram erigidas sobre os mesmos fundamentos. Essa a razão por que Jesus curava tão miraculosamente, tanto doenças físicas como mentais. A medicina que só pode curar doenças físicas é um péssimo mago ou um “Satan”, que nos torna mais infelizes do que éramos antes de encontrá-lo. Curar somente o físico é impossível. A agonia mental e a ansiedade são o verdadeiro inferno, que nenhum “sputnik” ou microscópio eletrônico conseguiram atingir.
Esta natureza de moléstia é característica da mentalidade daqueles que ignoram a constituição do Universo e suas leis, pois tentar a, cura de enfermidades do corpo, negligenciando as da mente, é tentar o impossível.

Estou cada vez mais convencido da eficácia miraculosa e da superioridade de nossa medicina-filosófica: a Macrobiótica. Devo a ela minha cura da tuberculose e de outras doenças, assim chamadas “incuráveis”, após ter tido a boa sorte de ter sido desenganado pelos médicos, antes de atingir os meus 20 anos. Desde então, testemunhei milhares de curas surpreendentes de pessoas pobres, desesperadas, que aplicaram este método na Ásia, na África e na Europa, encontrando sua liberdade, tão simples e naturalmente como o fazem os pássaros no céu, os peixes no mar e os animais nas selvas.

Abandonei o meu país natal, o Japão, há dez anos, com a única idéia de visitar todos os países do mundo, na busca de um punhado de amigos capazes de entender e de adotar minha filosofia, e de restabelecer, neste planeta, o reino invisível da pureza, da felicidade e da saúde.
Torno a repetir que a minha filosofia-medicina é paradoxal, dialética, fácil de ser aprendida, mesmo pelas crianças, e a mais prática que existe. A teoria é simples, e há só um princípio que deve ser compreendido, o mesmo a cuja conclusão Toynbee chegou, após suas longas pesquisas através da história: Yin-Yang, fundamento cosmológico da existência, uma bússola universal, o centro e coração de uma concepção do mundo, que pode ser aplicado em qualquer aspecto e nível da vida diária, quer no que se relaciona com a família, como com a vida conjugal, social ou política.

Que mais posso dizer? A minha filosofia não é uma medicina que visa a destruir somente os sintomas, a qualquer preço, mesmo com violência, quimicamente, fisicamente ou mortalmente. É ela um simples método-teoria prático, que pode assegurar não só uma cura clínica (a simples eliminação de sintomas), ou o controle da saúde fisiológica. Ela vai mais longe, pois traz a paz para a alma e estabelece a liberdade e a justiça em nossas vidas. E isto, sem o auxílio de nenhum instrumento! Esta concepção do Universo é mais revolucionária do que a energia atômica e bombas de hidrogênio. Altera todos os valores, toda a filosofia e técnicas modernas. Após ter ensinado este método durante 47 anos, estou convencido do seu grande valor. No entanto, talvez eu esteja enganado, pois, que, no decurso de todos esses anos, só encontrei uns poucos médicos filósofos que compreenderam a unidade da filosofia e da medicina, que eram aceitas e reconhecidas no Oriente, no longínquo passado.

http://saudecompleta.blogspot.com.br/2010/01/macrobiotica-zen-capitulo-ii.html


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