terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Álcool e festas de final de ano

Em períodos festivos, como Natal e Ano Novo, o consumo abusivo de bebidas alcoólicas é frequente, o que pode aumentar a probabilidade de ocorrência de acidentes de trânsito, situações de violência, casos de afogamentos, entre outros problemas graves relacionados ao uso de álcool. Gostaríamos de fornecer nossos contatos e listar algumas sugestões de pautas do CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (www.cisa.org.br), organização não governamental que se destaca como uma das principais fontes sobre o tema no Brasil.


Podemos contribuir em suas reportagens com informações sobre os seguintes assuntos:


Álcool e trânsito: Análise divulgada pelo National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA), dos Estados Unidos, confirma maior probabilidade de pessoas morrerem devido a acidentes de trânsito relacionados ao uso de álcool na véspera do Ano Novo do que em outros períodos do ano. No Brasil, apesar da escassez de estudos sobre a direção de veículos automotores sob a influência do álcool, uma pesquisa com 333 adultos participantes do I Levantamento Nacional Domiciliar sobre Padrões de Consumo de Álcool (entre 2005 e 2006) revelou uma prevalência de beber e dirigir de 34,7%.


De acordo com o levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF), divulgado no início de 2010, de 19 de dezembro de 2009 até 3 de janeiro de 2010, foram registrados 8.882 acidentes nas rodovias federais de todo o país. Do total de acidentes, a PRF detectou 455 mortos, um aumento de 4% no número de mortos em acidentes nas rodovias federais em comparação ao mesmo período do ano passado, e 5.693 feridos. As regiões Sul e Sudeste foram responsáveis pelos maiores registros de acidentes.


Recentemente, o I Levantamento Nacional sobre Uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas entre Universitários das 27 Capitais Brasileiras mostrou que 18%, dos quase 18 mil universitários entrevistados, já havia dirigido sob o efeito de álcool e 27% relataram ter pego carona com um motorista alcoolizado.



Álcool e violência: Estudo brasileiro destaca o uso de álcool como um fator importante no processo de vitimização por homicídios em São Paulo. Entre os resultados, a pesquisa apontou que 43% das vítimas de homicídios analisadas apresentaram níveis de álcool no sangue superiores a 0,2g/l, e que 56,4% das vítimas mortas nos fins de semana estavam alcoolizadas, o que pode estar relacionado ao consumo de álcool de alto risco em bares e festas, mais comuns nesses dias.



Álcool e afogamento: A combinação de bebida alcoólica e banho de mar ou em rios, represas e cachoeiras pode tornar-se perigosa, principalmente quando associada à imprudência e desconhecimento das áreas de perigo. Estima-se que o uso de álcool esteja associado a cerca de 25 a 50% das mortes de adolescentes e adultos relacionadas a atividades recreativas aquáticas.



Mitos sobre o consumo de álcool: Grande parte das pessoas que bebe em ocasiões festivas acaba tendo problemas com a direção de veículos, porque não são capazes de reconhecer que a destreza necessária para a direção, além de outras habilidades importantes, como a tomada de decisões, são prejudicadas muito antes dos sinais físicos da embriaguez começar a aparecer. Outro engano muito comum é subestimar os efeitos duradores do álcool em nosso corpo. Alguns acreditam que parar de beber ou tomar um copo de café podem torná-los aptos a dirigir com segurança. A verdade é que o álcool continua a afetar o cérebro, mesmo após a última dose, prejudicando a coordenação e a capacidade de julgamento até mesmo horas depois da ingestão de bebidas alcoólicas.



Ressaca: Em época de festividades, outra consequência frequente é a “ressaca”. O CISA reforça que a única maneira de ter certeza de que não terá ressaca é não beber abusivamente. Se for beber, que seja de forma responsável e moderada, hidratando-se e comendo bem para evitar a hipoglicemia.



Lei Seca: O CISA destaca a influência positiva da Lei 11.705/08, popularmente conhecida como Lei Seca, para a mudança de comportamento dos motoristas, que se tornaram mais responsáveis em relação à mistura “álcool e direção”. A ONG defende, ainda, a intensificação da fiscalização e a aplicação de punição para os infratores como formas de garantir a continuidade da eficácia da lei.



Entrevistas: Para possíveis matérias sobre os assuntos relacionados a álcool e saúde, sugerimos entrevista com o Dr. Arthur Guerra de Andrade, presidente do CISA, Professor da Universidade de São Paulo (USP), psiquiatra e especialista em dependência química ou com a Dra. Camila Magalhães Silveira, psiquiatra e coordenadora do CISA.



Sobre o CISA

O Centro de Informações sobre Saúde e Álcool – CISA, organização não governamental criada em 2004 pelo psiquiatra e especialista em dependência química Arthur Guerra de Andrade, é hoje a maior fonte de informações no país sobre o binômio álcool e saúde. Por meio de seu website (www.cisa.org.br), o CISA dispõe de um banco de dados com mais de 1.600 títulos, desde publicações científicas reconhecidas nacional e internacionalmente, dados oficiais, até notícias publicadas em jornais e revistas destinados ao público em geral. Além de estar comprometido com o avanço do conhecimento na área de saúde e álcool, o CISA também atua na prevenção do abuso e nos problemas do uso indevido da substância, por meio de parcerias e elaboração de materiais de apoio a pais e educadores.