Fonte: http://www.e-macrobiotica.com/artigos_e_multimedia/artigos/alimentacao/
por Francisco Varatojo
Os alimentos
transgénicos ou alimentos geneticamente manipulados começaram a ser
introduzidos em maior escala no mercado mundial, particularmente no
mercado americano, em 1996 e desde então os consumidores dos principais
países europeus têm-se manifestado abertamente contra a introdução
destes alimentos no mercado, particularmente sem uma conveniente
rotulação que identifique claramente se os ingredientes utilizados num
determinado produto alimentar foram ou não geneticamente manipulados.
Em Portugal, país de brandos costumes, pouco se tem falado ou escrito
sobre o assunto e não existe um verdadeiro movimento que discuta o
potencial perigo deste tipo de alimentos para a saúde humana e
ambiental.
Por tudo o que tenho lido e estudado sobre o assunto sou
manifestamente contra a utilização de alimentos transgénicos e penso que
corremos um enorme risco ao permitirmos que eles entrem em nossas
casas, na maioria das vezes de uma forma totalmente escamoteada. Neste
momento no mercado americano estão disponíveis transgénicos do milho,
feijão soja, batatas, abóbora, papaia assim como leite e outros produtos
lácteos derivados de vacas tratadas com uma hormona geneticamente
manipulada (rBST) e existem já uma grande variedade de enzimas
geneticamente manipuladas que são utilizadas pela indústria de
processamento alimentar.
Caso não saiba, o feijão soja e os derivados do milho por exemplo,
são utilizados em centenas de produtos existentes nas prateleiras dos
supermercados, como margarinas, bolachas, iogurtes, chocolates, etc.
Na realidade a manipulação genética é uma experiência científica à
escala mundial em que todos somos cobaias e da qual não se sabe
minimamente quais vão ser os resultados. Enquanto que um produto
farmacêutico requer muitas vezes 15 anos de testes rigorosos para ser
aprovado (e ainda assim muitas vezes é retirado do mercado) os alimentos
GM não foram sujeitos a um escrutínio rigoroso, tendo em consideração
os efeitos a médio e a longo prazo na saúde e no ambiente. Isto, porque
quem parece lucrar com todo este processo são meia dúzia de
multinacionais que exercem uma enorme influência junto de governos e da
"elite" intelectual e económica mundial. Segundo um artigo recente da
"Time" já se testaram cerca de 4500 plantas GM e para as companhias de
biotecnologia isto representa um aumento de vendas de 75 milhões de
dólares para 1,5 biliões de dólares anuais em apenas dois anos.
A filosofia subjacente à manipulação genética é de que a natureza não
é perfeita e de que a ciência pode substituir o seu papel, com melhores
resultados: podemos ter melhores colheitas, evitar a fome no Mundo e
ter espécies vegetais mais resistentes a pragas. Infelizmente, nenhum
destes pressupostos está provado e os problemas mencionados existem e
continuarão a existir enquanto não se alterarem muitas das realidades
económicas e sociais modernas.
As colheitas GM são imprevisíveis e existem numerosos artigos nos
principais jornais médicos avisando das suas possíveis consequências. O
"New England Journal of Medicine" (um dos mais prestigiados jornais
médicos mundiais) alertou para o risco do aumento de alergias mortais e
criticou a FDA (Food and Drug Administration) por favorecer a indústria
em detrimento da protecção do consumidor.
O que são na realidade os alimentos geneticamente manipulados?
São alimentos cujos genes foram modificados ou manipulados pelos
humanos de forma a que exibem características que não teriam no seu
estado natural. A engenharia genética cruza espécies que naturalmente
não se cruzariam. Assim, por exemplo, cruzaram-se genes de um peixe em
morangos e em tomates.
As culturas onde se utiliza mais manipulação genética são o feijão
soja, o milho, colza e algodão. A maioria dos organismos GM existem em
duas variedades: "resistente aos insectos" e "tolerante aos herbicidas".
As culturas resistentes aos insectos são também chamadas "pesticidas
plantas" porque a planta é considerada (e regulada) como um novo
insecticida. A planta à medida que cresce produz uma toxina de insecto
em cada célula e durante toda a estação de crescimento. Quando comemos
milho GM resistente a insectos, por exemplo, estamos a comer um
pesticida.
Antigamente, um agricultor tinha que ter cuidado com a utilização de
herbicidas porque estes podiam destruir a colheita. Agora a cultura é
alterada geneticamente de forma que não seja danificada pelo produto
químico. Como resultado, os agricultores podem utilizar muito mais
pesticidas, que vão terminar no nosso prato à hora das refeições.
Ao mesmo tempo, quando os organismos GO são libertados no ambiente
qualquer estrago que produzam é irreversível. Os organismos GO são
organismos vivos, pelo que se podem multiplicar, mutar, reproduzir-se
com outros organismos vivos, durante muitas gerações. Potencialmente, a
poluição biológica produzida pelos organismos geneticamente manipulados é
muito mais perigosa do que a poluição química ou nuclear.
A mim, estas técnicas assustam-me, porque acredito que existe uma
ordem natural à qual não devemos e não podemos fugir. Brincarmos a Deus é
perigoso, letal e demonstra uma enorme arrogância para com uma Natureza
que é misteriosa, mas generosa, justa e perfeita. Existem formas de
alimentar todo o mundo, se para tal, utilizarmos métodos de agricultura e
estilos de vida mais equilibrados e sustentáveis.