domingo, 1 de novembro de 2026

Por que existimos? A missão de viver: amor, coragem e a escolha de fazer o bem

A missão de viver: amor, coragem e a escolha de fazer o bem

O que estamos fazendo com o privilégio de estar vivos?

Recebi por e-mail uma reflexão atribuída a Gi Stadnicki, da qual destaco esta passagem:

“esta missão de viver precisa estar toda envolvida em amor”

Uma ideia simples, mas que merece uma pausa. Em meio aos compromissos, às preocupações e à busca por resultados, podemos passar dias resolvendo problemas sem perceber como estamos tratando as pessoas — e a nós mesmos.

Nem sempre sabemos qual é a melhor decisão. Temos dúvidas, cometemos erros e revemos caminhos. Ainda assim, podemos escolher agir com respeito, responsabilidade e disposição para cuidar.

Talvez não saibamos sempre o que fazer. Mas podemos prestar mais atenção à maneira como fazemos.

Amar exige aprendizado e prática

Em A arte de amar, Erich Fromm apresenta o amor como uma capacidade que precisa ser desenvolvida. Cuidado, responsabilidade, respeito e conhecimento são elementos fundamentais dessa construção. (pmc.ncbi.nlm.nih.gov⁠)

Essa perspectiva nos aproxima da vida cotidiana. Amar envolve conhecer o outro, reconhecer suas necessidades e respeitar sua individualidade.

É perguntar e ter paciência para ouvir a resposta. É oferecer ajuda sem transformar o gesto em instrumento de controle. É compreender que pessoas próximas também têm desejos, limites e caminhos próprios.

O cuidado aparece nas atitudes que repetimos.

O sentido da vida também se realiza no encontro

Viktor Frankl coloca a busca de sentido no centro da existência humana. Em sua abordagem, cada situação pode oferecer possibilidades de realização, dentro das condições e dos limites de cada pessoa. O amor também permite reconhecer o outro em sua singularidade. (viktorfrankl.org⁠, franklzentrum.org⁠)

Essa visão nos convida a olhar para as oportunidades que temos hoje.

Uma conversa pode restabelecer uma relação. Um ensinamento pode ampliar as possibilidades de alguém. Uma presença silenciosa pode amparar quem atravessa um momento difícil.

Não precisamos esperar por uma grande oportunidade para contribuir. Muitas vezes, o que está ao nosso alcance já tem valor.

O amor precisa encontrar expressão

A escritora bell hooks propõe compreender o amor como verbo: algo que fazemos e aprendemos a praticar. Essa perspectiva dá consequência às nossas intenções. (resurgence.org⁠)

Podemos desejar o bem de alguém e, ainda assim, deixar de oferecer a atenção que essa pessoa precisa. Podemos defender o respeito e interromper quem tenta falar. Podemos valorizar a família e reservar a ela apenas o tempo que sobra.

Há uma pergunta útil para todos nós:

As minhas atitudes estão expressando os valores que afirmo ter?

Essa pergunta vale em casa, nas amizades, no trabalho e na comunidade.

Coragem para cuidar — inclusive de si mesmo

O texto recebido também nos provoca a enfrentar a indiferença. Essa é uma reflexão importante: quando deixamos de perceber o sofrimento alheio, nossas relações se empobrecem.

Mas sentir medo, cansaço ou dor faz parte da experiência humana. A coragem pode aparecer justamente quando reconhecemos essas dificuldades e buscamos apoio para continuar.

Amar também exige estabelecer limites, pedir ajuda e admitir que não conseguimos resolver tudo sozinhos.

Cuidar de si amplia nossa capacidade de cuidar dos outros.

E o que isso tem a ver com liderança?

Para quem lidera, essas reflexões têm consequências práticas.

Elas aparecem na maneira de corrigir um erro, comunicar uma decisão difícil, reconhecer uma contribuição e ouvir uma preocupação.

Um líder pode cobrar resultados com clareza e preservar a dignidade das pessoas. Pode enfrentar um problema com firmeza e assumir a responsabilidade que lhe cabe. Pode desenvolver a equipe oferecendo orientação, oportunidades e feedback respeitoso.

A maneira como alcançamos os resultados também faz parte do que construímos.

Ao final, vale perguntar:

Quem recebeu nossa atenção hoje?
Que problema ajudamos a resolver?
Que conhecimento compartilhamos?
Que conversa importante estamos adiando?

A missão de viver ganha forma nessas escolhas. No cuidado que oferecemos, na responsabilidade que assumimos e na disposição para aprender a fazer melhor.

Que a nossa passagem deixe pessoas mais amparadas, relações mais respeitosas e possibilidades que antes não existiam.

Professor Ari | Alpha Premium

Reflexão inspirada no texto recebido por e-mail, atribuído a Gi Stadnicki, em diálogo com ideias de Erich Fromm, Viktor Frankl e bell hooks. As ideias desses autores foram apresentadas em paráfrase.


Nenhum comentário: