Manter uma dieta rica em óleo vegetal pode aumentar o risco de demência, alertam especialistas. Pesquisas indicam que esse tipo de óleo é mais propenso a causar a formação de placas no cérebro, conhecidas precursoras de doenças neurodegenerativas graves, como Alzheimer.
Em meados do século 20, os americanos, preocupados com o aumento das doenças cardíacas, foram orientados a substituir gorduras saturadas — como manteiga e creme — por óleo vegetal. No entanto, a nutricionista Dr.ª Catherine Shanahan alerta que essa foi uma decisão equivocada. Segundo ela, “nos anos 50, os consumidores adotaram essa prática, tornando o óleo vegetal popular. Além disso, os restaurantes preferiram esse óleo pelo custo baixo e pela disponibilidade, já que o azeite é de 10 a 50 vezes mais caro e apresenta sabor mais pronunciado” (Shanahan, 2017).
Há vários tipos de óleos vegetais na dieta moderna: canola, palma, milho, soja, girassol, cártamo, semente de algodão, farelo de arroz, entre outros. Para Dr.ª Shanahan, o consumo elevado desses óleos pode ser prejudicial à saúde. Ela afirma que o óleo vegetal pode causar fadiga, enxaquecas e até contribuir para o desenvolvimento de doenças como Alzheimer e outras formas de demência. "O óleo vegetal provoca estresse oxidativo, que danifica as membranas cerebrais e leva à formação de placas no cérebro. Estudos com pacientes de Alzheimer confirmam a presença dessas placas nas áreas afetadas" (Shanahan, 2020).
Apesar dos riscos, Dr.ª Shanahan ressalta que é possível reverter os danos cortando o consumo de óleo vegetal: “Recomendo um desafio de sete dias sem óleo vegetal para que as pessoas percebam a diferença. Seu paladar vai se reeducar, e você terá mais energia e melhor percepção dos sabores reais dos alimentos” (Shanahan, 2020).
Um relatório de maio de 2025 da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) indicou que componentes do óleo de palma — o óleo vegetal mais utilizado, presente em produtos como Nutella — podem ser “geotóxicos e cancerígenos” (EFSA, 2025). Em resposta, a Ferrero, fabricante do Nutella, declarou ao Daily Mail Online que o óleo de palma utilizado é refinado a baixa temperatura para reduzir contaminantes, mas Dr.ª Shanahan alerta que essa medida reduz, mas não elimina os riscos: “É como fumar três cigarros por dia em vez de um maço…” (Daily Mail, 2025).
As indústrias utilizam esses óleos por suas propriedades antimicrobianas, que prolongam a vida útil dos produtos, mas é exatamente essa característica que pode torná-los tóxicos. Estudos associam o consumo excessivo de óleo vegetal a doenças cardíacas e à redução de antioxidantes no organismo (Mozaffarian et al., 2006; de Souza et al., 2015). Embora o óleo vegetal contenha gorduras monoinsaturadas e ômega-3, ele é rico em gorduras poli-insaturadas, que oxidam facilmente, causando inflamação e mutações celulares.
Além disso, o óleo vegetal contém gorduras trans, altamente tóxicas e ligadas a doenças cardíacas, câncer, diabetes e obesidade (World Health Organization, 2018). Recentemente, gorduras consideradas antes prejudiciais, como manteiga e abacate, vêm sendo reconhecidas por seus benefícios para a saúde cardiovascular.
Dr.ª Shanahan recomenda substituir óleos vegetais por azeite, óleo de coco, óleo de abacate ou óleo de amendoim não refinado, que também agregam sabor natural aos alimentos: “Se você prepara sua comida em casa, opte por óleos com sabor característico e não refinados, como o de coco ou amendoim, e sempre verifique isso na embalagem” (Shanahan, 2020).
Referências
Shanahan, C. (2017). Deep Nutrition: Why Your Genes Need Traditional Food. New York: BenBella Books.
Shanahan, C. (2020). Entrevistas e publicações pessoais.
Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA). (2025). Scientific report on palm oil safety. EFSA Journal.
Daily Mail Online. (2025). Ferrero response about palm oil refining.
Mozaffarian, D., et al. (2006). Trans fatty acids and cardiovascular disease. New England Journal of Medicine, 354, 1601-1613.
de Souza, R.J., et al. (2015). Intake of saturated and trans unsaturated fatty acids and risk of all cause mortality, cardiovascular disease, and type 2 diabetes: systematic review and meta-analysis of observational studies. BMJ, 351, h3978.
World Health Organization. (2018). REPLACE trans fat: an action package to eliminate industrially-produced trans-fats.
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