terça-feira, 20 de outubro de 2026

Tem chefe que vai para casa com a gente — quando a liderança contribui para o esgotamento e o burnout

Tem chefe que vai para casa com a gente — quando a liderança contribui para o esgotamento e o burnout



O expediente terminou. Você saiu da empresa, enfrentou o trânsito e chegou em casa. Mas uma frase continua se repetindo na sua cabeça.

Foi aquela cobrança feita diante dos colegas. A ironia na reunião. A bronca por um problema que você tentou explicar, mas ninguém quis ouvir.

Você senta à mesa com a família, mas ainda está discutindo mentalmente com o chefe. Alguém pergunta alguma coisa, e você responde sem prestar atenção. Ou responde com uma irritação que aquela pessoa não merecia receber.

O chefe ficou na empresa. O efeito das suas atitudes veio junto.

Nem sempre quem ocupa uma posição de liderança percebe até onde suas palavras chegam. Para ele, talvez tenha sido apenas um comentário entre duas reuniões. Para quem ouviu, pode ter sido o assunto da noite inteira.

A autoridade dá peso às palavras. Uma observação que seria facilmente esquecida se viesse de um colega pode assumir outra dimensão quando parte de quem avalia, promove ou decide sobre a permanência de alguém.

Por isso, liderar exige cuidado com a maneira de falar, ouvir e corrigir.

Cobrar faz parte da liderança. Humilhar é uma escolha de comportamento.

Há conversas difíceis que precisam acontecer. Há erros que precisam ser corrigidos e resultados que precisam melhorar. Adiar esses assuntos também pode prejudicar a equipe. Mas é possível ser firme, explicar o problema e estabelecer consequências preservando a dignidade de quem está à nossa frente.

Em mais de 40 anos de experiência empresarial, conheci líderes que deixavam as pessoas apreensivas até quando tudo parecia estar bem. A equipe gastava energia tentando adivinhar o humor da chefia, escolhendo palavras e evitando trazer notícias desagradáveis.

Também conheci líderes com quem era possível discordar, admitir um erro e pedir orientação. Eles cobravam. Às vezes, cobravam muito. Mas as pessoas sabiam o que se esperava delas e podiam conversar com respeito.

Esses líderes também iam para casa com a gente.

Iam na satisfação de contar à família que um trabalho havia sido reconhecido. Na tranquilidade depois de uma conversa esclarecedora. Na vontade de voltar no dia seguinte para concluir algo importante.

Uma palavra de reconhecimento também atravessa o portão da empresa.

É bom lembrar disso quando pensamos que salário e cargo explicam tudo sobre a relação de alguém com o trabalho. Existe uma parte dessa experiência construída diariamente, no modo como as pessoas são tratadas.

E essa reflexão não se limita às empresas. Vale para quem coordena uma equipe, ensina uma turma, conduz um projeto ou orienta uma família. Ter influência sobre alguém exige atenção ao que fazemos com ela.

Talvez uma boa pergunta, antes de encerrar o expediente, seja:

“O que as pessoas estão levando para casa depois de trabalhar comigo?”

A resposta pode ensinar mais sobre nossa liderança do que muitos relatórios.




Essas reflexões fazem parte do espírito do meu livro “O Livro de Ouro da Liderança Eficaz — 12 competências e 142 lições práticas para liderar pessoas e gerar resultados”.

Nele, reúno experiências, orientações e lições sobre ética, respeito, comunicação, reconhecimento e responsabilidade de quem lidera.

Exemplar autografado: R$ 49,50.
Pedidos e informações: WhatsApp — (11) 97227-7471⁠.

Professor Ari — Ariovaldo Lopes da Silva
Autor, professor e fundador da Alpha Premium Consultoria e Treinamentos⁠.


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