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domingo, 19 de outubro de 2025

AZIA, TOSSE OU DOR NO PEITO: ALGUNS SINAIS DE HÉRNIA DE HIATO

Abaixo divulgo interessante reliese sobre hernia de hiato. Antes de optarem por cirurgia recomendo  àqueles que sofrem de hernia de hiato que procurem fazer uma reeducação alimentar

Uma das causas da hernia de hiato tem origem nos maus hábitos alimentares.  A macrobiótica é uma excelente alternativa para combater esse mau. 

Como dica recomendo que cortem drasticamente doces, refrigerantes, café, produtos refinados e que optem por produtos integrais e orgânicos passando a comer lentamente, mastigando muito bem os alimentos. 

Este Blog está repleto de postagens úteis para se fazer uma alimentação saudável. 

Para aqueles que estão em crise, recomendo que além de seguirem as dicas acima que passem a tomar diariamente Banchá, que é o chá verde torrado. Para as crises, uma salada de nabo ralado, temperado com shoyo macrobiótico, algumas gotas de limão e azeite de oliva virgem é um excelente antiácido natural. Essa salada deve ser mastigada muito lentamente. Essa sugestão também é um excelente remédio para enjoo de gravidez

Outro produto bastante útil para combater problemas estomacais é a bardana, que pode ser consumida junto às refeições. A bardana também é encontrada em cápsulas.


Musculação e atividade física excessiva podem agravar hérnia de hiato

Problema atinge cerca de 10% dos brasileiros com mais de 50 anos

Incidência do distúrbio aumentou 5% na última década


Segundo dados do IBGE, a expectativa de vida dos brasileiros vem aumentando nas últimas décadas. Com isso, alguns distúrbios comuns durante o envelhecimento também tiveram sua incidência aumentada. É o caso da hérnia de hiato que registrou um aumento de 5% na última década. O problema que afeta a região do estômago atinge pessoas com mais de 50 anos, mas também aqueles que excedem na atividade física e musculação.

Para entender melhor esse distúrbio, seus sintomas e tratamento, conversamos com o Dr. Vladimir Schraibman (CRM-SP 97304), orientador de Cirurgias Robóticas do Hospital Israelita Albert Einstein e que acaba de voltar do Congresso World Robotic Symposium, em Orlando, Estados Unidos, onde deu uma aula sobre os benefícios do uso do robô em casos de hérnia de hiato volumosas.

Outra novidade desse congresso trazida pelo especialista é que em cerca de um ano as cirurgias robóticas deverão ser feitas também pela técnica de orifício único pela cicatriz umbilical, com menos dor, menor tempo de recuperação pós-operatória, melhor aspecto estético e mais precisão.

1) O que é hérnia de hiato?

A hérnia de hiato é uma projeção de uma porção do estômago por meio do orifício que o esôfago passa para penetrar na cavidade abdominal. Caracteriza-se por uma fraqueza do músculo diafragma. Esse músculo divide o abdómen do tórax, e é por um espaço nesse músculo, conhecido por hiato esofágico, que o esófago penetra na cavidade abdominal. Devido ao alargamento deste espaço, uma parte do estômago desliza em direção ao tórax, o que se denomina hérnia de hiato.


2) O que causa e quais são os sintomas?

Ainda não se sabe corretamente o que causa a hérnia de hiato. Porém, sabemos que esforço físico e musculação em excesso, obesidade, constipação e tosse crônica podem predispor a formação da hérnia de hiato. Na maior parte dos casos, a hérnia de hiato é assintomática. Quando os sintomas ocorrem, os principais são azia, eructação e regurgitação. Caso a hérnia seja muito grande, podem ocorrer sintomas de compressão de estruturas torácicas, como tosse e falta de ar. Algumas vezes, seus sintomas podem ser parecidos com os das doenças cardíacas

3) A prática de esportes pode levar ao surgimento da hérnia de hiato?

Esportes que forçam a musculatura abdominal como futebol, musculação em excesso e levantamento de peso aumentam a pressão intra-abdominal, um dos fatores para o desenvolvimento da hérnia. Portanto, podemos concluir que tais práticas podem contribuir para o aparecimento da hérnia.

4) Como prevenir o aparecimento dessa hérnia?

Recomenda-se o emagrecimento para quem está muito acima do peso, além de evitar a prática de exercícios que levam ao aumento da pressão intra-abdominal, como levantamento de peso e musculação em excesso.

5) Como é diagnosticada a hérnia de hiato?

O diagnóstico é feito pela endoscopia digestiva, um exame rápido e seguro.

6) Quais os tratamentos mais indicados?

A princípio, o tratamento é clínico e consiste, basicamente, em emagrecer e ter uma dieta regrada, além de evitar refrigerantes, chocolates, café, frutas cítricas e alimentos gordurosos que irritam a mucosa gástrica agravando os sintomas.

Se o paciente apresentar sintomas de refluxo gastroesofágico, o tratamento deve incluir antiácidos por um período de quatro a 12 semanas. Podendo-se associar medicamentos ditos pró-cinéticos que auxiliam no esvaziamento gástrico, diminuindo a sensação de plenitude.

O tratamento cirúrgico só é indicado quando há falha do tratamento clínico ou quando há presença de alguma complicação. A cirurgia é feita por videolaparoscopia e consiste na correção da hérnia de hiato com sutura na porção do diafragma, ou da incontinência do esfíncter inferior do esôfago por meio da confecção de uma válvula anti-refluxo com o fundo gástrico que envolve total ou parcialmente o esôfago. O uso do robô está indicado em situações de re-operação, pacientes idosos e hérnias volumosas.

Perfil

Dr. Vladimir Schraibman / CRM-SP 97304 (Cirurgia Geral e Gastrocirurgia)

Especialista em cirurgia geral, gastrocirurgia e único orientador de Cirurgias Robóticas da área de Cirurgia Geral e do Aparelho Digestivo do Hospital Israelita Albert Einstein (Proctor Intuitive Robotic System).

Graduado em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo, com mestrado e doutorado em Ciências Médicas pelo Departamento de Cirurgia da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina, Dr. Vladimir Schraibman é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Videolaparoscópica (Sobracil), é médico colaborador do Setor de Fígado, Pâncreas e Vias Biliares do Departamento de Cirurgia da Universidade Federal de São Paulo, além de integrar o corpo clínico do Hospital Albert Einstein. Tem diversos artigos publicados em revistas e jornais científicos do Brasil e do exterior, além de intensa participação em congressos nacionais e internacionais.

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Macrobiótica Zen - Capítulo II do Livro de George OSAWA

Macrobiótica Zen - É NECESSÁRIO SAÚDE PARA HAVER PAZ / Preimeira parte do Livro de George Osawa


Macrobiótica - receita para uma vida saudável


MACROBIOTICA - Os opostos se complementam





Macrobiótica Zen - Introdução / Livro Completo Publicado



sábado, 8 de janeiro de 2022

Atitudes para dominar ou evitar o câncer

O Câncer é uma doença decorrente em mais de 90% dos casos de maus hábitos que levam a uma alimentação ácida.

 explicou a causa do câncer. Ocorre que a medicina tradicional nunca deu muita importância a isso, e como de costume foca mais em atuar sobre os efeitos do câncer e não nas causas.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Alimentos Geneticamente Modificados

Fonte: http://www.e-macrobiotica.com/artigos_e_multimedia/artigos/alimentacao/

Os alimentos transgénicos ou alimentos geneticamente manipulados começaram a ser introduzidos em maior escala no mercado mundial, particularmente no mercado americano, em 1996 e desde então os consumidores dos principais países europeus têm-se manifestado abertamente contra a introdução destes alimentos no mercado, particularmente sem uma conveniente rotulação que identifique claramente se os ingredientes utilizados num determinado produto alimentar foram ou não geneticamente manipulados.
Em Portugal, país de brandos costumes, pouco se tem falado ou escrito sobre o assunto e não existe um verdadeiro movimento que discuta o potencial perigo deste tipo de alimentos para a saúde humana e ambiental.
Por tudo o que tenho lido e estudado sobre o assunto sou manifestamente contra a utilização de alimentos transgénicos e penso que corremos um enorme risco ao permitirmos que eles entrem em nossas casas, na maioria das vezes de uma forma totalmente escamoteada. Neste momento no mercado americano estão disponíveis transgénicos do milho, feijão soja, batatas, abóbora, papaia assim como leite e outros produtos lácteos derivados de vacas tratadas com uma hormona geneticamente manipulada (rBST) e existem já uma grande variedade de enzimas geneticamente manipuladas que são utilizadas pela indústria de processamento alimentar.
Caso não saiba, o feijão soja e os derivados do milho por exemplo, são utilizados em centenas de produtos existentes nas prateleiras dos supermercados, como margarinas, bolachas, iogurtes, chocolates, etc.
Na realidade a manipulação genética é uma experiência científica à escala mundial em que todos somos cobaias e da qual não se sabe minimamente quais vão ser os resultados. Enquanto que um produto farmacêutico requer muitas vezes 15 anos de testes rigorosos para ser aprovado (e ainda assim muitas vezes é retirado do mercado) os alimentos GM não foram sujeitos a um escrutínio rigoroso, tendo em consideração os efeitos a médio e a longo prazo na saúde e no ambiente. Isto, porque quem parece lucrar com todo este processo são meia dúzia de multinacionais que exercem uma enorme influência junto de governos e da "elite" intelectual e económica mundial. Segundo um artigo recente da "Time" já se testaram cerca de 4500 plantas GM e para as companhias de biotecnologia isto representa um aumento de vendas de 75 milhões de dólares para 1,5 biliões de dólares anuais em apenas dois anos.
A filosofia subjacente à manipulação genética é de que a natureza não é perfeita e de que a ciência pode substituir o seu papel, com melhores resultados: podemos ter melhores colheitas, evitar a fome no Mundo e ter espécies vegetais mais resistentes a pragas. Infelizmente, nenhum destes pressupostos está provado e os problemas mencionados existem e continuarão a existir enquanto não se alterarem muitas das realidades económicas e sociais modernas.
As colheitas GM são imprevisíveis e existem numerosos artigos nos principais jornais médicos avisando das suas possíveis consequências. O "New England Journal of Medicine" (um dos mais prestigiados jornais médicos mundiais) alertou para o risco do aumento de alergias mortais e criticou a FDA (Food and Drug Administration) por favorecer a indústria em detrimento da protecção do consumidor.
O que são na realidade os alimentos geneticamente manipulados?
São alimentos cujos genes foram modificados ou manipulados pelos humanos de forma a que exibem características que não teriam no seu estado natural. A engenharia genética cruza espécies que naturalmente não se cruzariam. Assim, por exemplo, cruzaram-se genes de um peixe em morangos e em tomates.
As culturas onde se utiliza mais manipulação genética são o feijão soja, o milho, colza e algodão. A maioria dos organismos GM existem em duas variedades: "resistente aos insectos" e "tolerante aos herbicidas". As culturas resistentes aos insectos são também chamadas "pesticidas plantas" porque a planta é considerada (e regulada) como um novo insecticida. A planta à medida que cresce produz uma toxina de insecto em cada célula e durante toda a estação de crescimento. Quando comemos milho GM resistente a insectos, por exemplo, estamos a comer um pesticida.
Antigamente, um agricultor tinha que ter cuidado com a utilização de herbicidas porque estes podiam destruir a colheita. Agora a cultura é alterada geneticamente de forma que não seja danificada pelo produto químico. Como resultado, os agricultores podem utilizar muito mais pesticidas, que vão terminar no nosso prato à hora das refeições.
Ao mesmo tempo, quando os organismos GO são libertados no ambiente qualquer estrago que produzam é irreversível. Os organismos GO são organismos vivos, pelo que se podem multiplicar, mutar, reproduzir-se com outros organismos vivos, durante muitas gerações. Potencialmente, a poluição biológica produzida pelos organismos geneticamente manipulados é muito mais perigosa do que a poluição química ou nuclear.
A mim, estas técnicas assustam-me, porque acredito que existe uma ordem natural à qual não devemos e não podemos fugir. Brincarmos a Deus é perigoso, letal e demonstra uma enorme arrogância para com uma Natureza que é misteriosa, mas generosa, justa e perfeita. Existem formas de alimentar todo o mundo, se para tal, utilizarmos métodos de agricultura e estilos de vida mais equilibrados e sustentáveis.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Caxias do Sul: O excelente Restaurante Natural Trigais completa dois anos.

Parabéns ao excelente Restaurante Natural Trigais que completa hoje, 26 de Novembro, dois anos oferecendo uma alimentação de primeira. Vegatarianos, veganos, macrobióticos e outros entusiastas de uma alimentação saudável encontram lá um excelente alternativa.

No Restaurante natural Trigais é servido de segunda a sábado, um cardápio equilibrado e saudável, que vai conquistar o seu padalar com qualidade e sabor.

Lá você encontrará um amplo buffet de saladas; pratos quentes especiais, padaria, ponfeitaria e entreposto.

No Trigais tudo é orgânico, natural e muito bem preparado.

Numa cidade onde a tradição e costume apontam para a culinária de churrascarias, hamburguerias e galeteriais, para mim encontrar o Trigais foi como achar um fonte de água fresca no deserto.

Se você vive em Caxias do Sul ou região, ou se um dia passar pela região, não perca a chance de disfrutar da excelente culinária do Trigais.

Restaurante Natural Trigais

Fone 54.3028.0891


domingo, 10 de janeiro de 2010

Macrobiótica Zen - CAPÍTULO IX ( último )

PRATOS ESPECIAIS

ALIMENTOS DE ORIGEM ANIMAL

Todo alimento de origem animal é proibido pelo budismo, sobre¬tudo pelo Budismo ZEN, que representa o ramo mais evoluído, sob os aspectos biológicos e fisiológicos. Sem Macrobiótica não há, pois, Budismo!

A Macrobiótica não é um vegetarismo sentimental, e evita todos os produtos hemoglobínicos, unicamente, por motivos biológicos e fi¬siológicos e para desenvolver ao máximo as faculdades cerebrais. A carne é ideal para as feras: as suas glândulas segregam hormônios adequados para criaturas que não estão habituadas a pensar, e que agem por instinto, anatomicamente. Seu centro sensitivo e, por con¬seguinte, seu juízo, não estão desenvolvidos como o nosso, por isso elas são exploradas pelo homem e mortas para serem comidas. 2 por esta razão que os homens que comem os produtos de origem animal são explorados e mesmo mortos pelos outros e, algumas vezes, por si próprios.

Não creio que existam animais que mobilizem seus irmãos e filhotes para destruírem outras nações de criaturas, como o faz o homem, que é insensato sob este ponto de vista, e cujo discernimento a esse respeito é inferior ao dos animais. Todos aqueles que conso¬mem produtos contendo hemoglobina dependem para seu sustento de animais, cujas faculdades de discernimento são inferiores e sim¬plistas.
Pavlov cometeu o erro de considerar o homem como uma má¬quina de reflexos condicionados, pois o homem tem, pelo menos, seis capacidades diferentes de discernimentos:

1 discernimento cego (reflexo condicionado)
2 discernimento sensorial
3 discernimento sentimental
4 discernimento intelectual
5 discernimento social
6 discernimento ideológico
7 discernimento supremo.

É pela sua quinta capacidade do discernimento que o homem se suicida após ter morto a esposa que o traiu, e é pela sua sétima capacidade que o homem perdoa ao pior criminoso. Os mentirosos, os assassinos e os covardes não devem ser nem punidos nem lastima¬dos; é necessário mostrar lhes que são infelizes por causa de sua péssima alimentação ou da de seus pais, e refazer a sua educação. A educação profissional transforma os homens em gramofones, sem desenvolver lhes a capacidade de discernimento e de iniciativa.
No Oriente, ensina se, desde a escola primária, as crianças a pensar, julgar e serem independentes. Este ensinamento, porém, tor¬na se inútil se as crianças não têm o cérebro convenientemente desenvolvido ou se permanecem como os animais. Há alguns indivíduos insaciáveis, que procuram dinheiro, poder, reputação e honrarias a todo o preço e durante toda a vida. Como os crocodilos, têm a cabeça pequena e os maxilares fortes. Isto quer dizer que seu cérebro é menos desenvolvido do que a sua boca e as suas mandíbulas. São homens de ação e não de pensamento. Nas regiões onde numerosas pessoas têm estas características, onde se consome muita carne e onde o clima é muito quente (Yang) existe a lei de Lynch. A prática do linchamento será esquecida quando essas pessoas deixarem de co¬mer carne. A educação escolar não modificará este estado de coisas, pois o problema é de natureza fisiológica. Se Gandhi, que bem ilustra a tese, não houvesse renunciado, totalmente, a comer qualquer espé¬cie animal durante a sua estada na Inglaterra, ele se teria tornado um revolucionário violento. Espero que tenhais compreendido que não é somente a forma da cabeça que determina a vossa conduta. Seu conteúdo, sua composição e o que alimenta são da máxima impor¬tância.

É por esta razão que podeis controlar a vossa conduta pela vos¬sa alimentação. Pode se ser seu próprio mestre ou um escravo com discernimento animal. Uma pessoa de constituição básica muito Yin pode matar o seu cônjuge, se comer alimento Yin em excesso. Pode tornar se mais cruel do que um assassino Yang. Aqueles que comem alimentos Yin em excesso, como os frugívoros ou os vegeta¬rianos da Índia, são capazes de causar grandes tragédias a infin¬dável divisão das nações. Em última análise, no entanto, não há razão de temer os produtos de origem animal, porque tudo depende da quantidade, visto que a quantidade altera a qualidade. Aquilo que é agradável torna se menos agradável se a medida for ultrapassada; o desejável torna se repugnante pelo excesso. É aqui que se pode ver a superioridade da dialética sobre a lógica formal. Os princípios fun¬damentais da lógica ocidental, a base do pensamento e da ciência, no Ocidente, são por demais rígidos e simplistas para o oriental. Essa a razão por que o professor Northrup, autor do interessante livro: “O encontro do Oriente com o Ocidente” (The meeting of East and West) ficou tão assombrado e surpreendido com a mentalidade oriental. Os orientais compreendem muito bem que um mesmo resul¬tado pode ser produzido por dois fatores opostos, enquanto que dois resultados contrários podem ser produzidos por quantidades dife¬rentes do mesmo fator. Se conhecerdes os princípios da cozinha ma¬crobiótica e a sua filosofia dialética, podeis Minimizar ou neutralizar alimentos excessivamente Yang (produtos animais) e evitar assim o domínio fatal do discernimento inferior (cruel, violento, crimi¬noso, delinqüente) sobre o julgamento superior.

Como porém, não estais habituados à Macrobiótica pura e não estais com muita pressa de entrar no Reino dos Céus ou o Infinito, (Satori) podeis comer, ocasionalmente, um pouco de carne, ou pra¬tos de alimentos de origem animal, porém cada vez menos, até que estejais completamente libertos.
Os pratos especiais recomendados são dosados de maneira a es¬tabelecer um bom equilíbrio, neutralizando os excessos de Yang e Yin (este último é o mais perigoso), sendo porém condição essen¬cial não estarem os alimentos usados contaminados pelo D.D.T. ou outros inseticidas.




PRATOS ESPECIAIS PEIXE, ETC.

401 - Carpa com bardana e pasta de soja (Koi Koku) 1 carpa, três vezes mais de raiz de bardana, três colheres de sopa cheias de pasta de soja missa Retirar, cuidadosamente, somente as partes amargas da carpa (a vesícula), deixando todas as es¬camas, e cortá la em postas de dois em de espessura. Aquecer uma colher de sopa de óleo na frigideira e refogar as tiras de bardana. Colocar a carpa por cima e cobri la com folhas de chá usadas, enroladas e amarradas num pano. Colocar água suficiente para cobrir os ingredientes. Ferver em fogo lento por três horas. Se a água se evaporar, adicionar mais, aos pou¬cos. Quando as espinhas estiverem moles, retirar as folhas de chá e despejar a pasta de soja diluída em um pouquinho de água; ferver, novamente, em fogo lento. É um prato excelente contra as febres e inflamações, especialmente indicadas para as mães que não têm suficiente leite e que devem consumir todo este prato em cinco dias. É igualmente recomendado contra as pneumonias, as otites, as artrites e os reumatismos.

402 - Caranha vermelha (TAI) Remover as escamas e limpar o peixe. Salpicar com sal. Cobrir com farinha e fritar com bas¬tante óleo em fogo médio. Quando o peixe estiver bem frito, colocá lo numa travessa, temperar com molho de soja e servir.
403 - Molho Cortar uma cebola em fatias fininhas no sentido do comprimento, picar uma couve chinesa, couve flor, cenouras, misturar tudo e salgar. Adicionar um pouco de água e refo¬gar lentamente até amolecer. Engrossar, ligeiramente, com um pouco de araruta e água. Este molho pode ser usado com trigo sarraceno frito, macarrão, talharim, etc.

404 - Cavala Lavar e limpar o peixe. Salgá lo. Cobrir e enrolar com farinha e cozinhar da mesma maneira do nº 402. 0 creme de “missa” combinará bem com este peixe.
405 - Peixe miúdo Limpar e lavar bem pequenos peixes, de apro¬ximadamente 6 centímetros, tais como trutas, sardinhas, etc. Salpicá los com sal e cobri los com farinha. Fritá los com óleo e servi los com molho de soja. Este prato é recomendado con¬tra todas as doenças Yin.

406 Ostras fritas Tirar lhes todo o liquido e salgá las; passá las na farinha, após no ovo batido com pão ralado. Fritar em bastante óleo.

407 - Caranha frita Cortar o peixe em grandes pedaços e salgar. Cobrir com farinha, depois com ovo batido e, por fim, com pão ralado. Fritar em óleo. Servir com refogado de agrião, couve, cenoura em fatias, etc. Outros peixes como o bonito, a sardi¬nha, o rabo amarelo, etc., são fritos do mesmo modo. Servir com gengibre ralado.

408 - Ostras a São Tiago (Coquille São Jaques) Retirar a carne das ostras e lavá las. Cortá las em pedaços pequenos e refogar com cenouras, cebolas, etc. Colocar a carne no interior das conchas e sobre elas derramar molho bechamel (219). Cozi¬nhar no forno. Os legumes podem ser comidos (sem carne) pelos doentes.

409 - Camarão à milanesa (Tenpura de camarão) Retirar as cascas e salpicar com sal. Cobrir com massa de farinha e fritar. Preparo da massa: dissolver uma parte de farinha pe¬neirada em duas de água, sem bater muito. As massas muito batidas ficam pegajosas e não saem bem. Com farinha de arroz aglutinado, a proporção é de um para cinco (5 de água e 1 de farinha de arroz). Adicionar a este liquido um ovo bati¬do Para o molho: preparar um “consommé” de alga marinha (“kobu”) e de atum seco.

Temperar com sal e molho de soja. Escorrer todo o óleo dos camarões, colocando os sobre uma folha de papel. colocar os camarões numa travessa forrada de guardanapos de papel numa bonita disposição. Guarnecer com nabo branco ralado e com salsa. Servir o molho em tigelas individuais pequenas.
410 - Peixe espada à milanesa Tempura de Cavala Cortar os filés do peixe e mergulhá los em massa liquida, conforme foi indicado anteriormente e fritar.
411 - Calamar (Polvo que se encontra em águas do Brasil) N. do Tr., à milanesa Retirar a pele de um calamar e cortá lo ao comprido, em pedaços de 3 a 6 em. Fritá los, após tê los coberto com a massa acima mencionada (409). Estes pedaços de calamar fritos à milanesa (tempura) devem ser servidos com agrião, vagens, salsa, cenouras, etc. Também fritos à milanesa (tempera).
412 - Mexidos fritos Utilizar ostras, postas de calamar, mariscos e cebolas refogadas, cenouras em pedacinhos, etc. Mergulhá-los na massa e deitá los às colheradas no óleo. Fritar.
413 - Fritada de ovo (Tempura de ovo) Aqueça bastante óleo, quebre e frite nele um ovo imediatamente.
414 - Atum cru Tirar a pele e as partes sangrentas de um atum e cortá lo em fatias finas. Servir da mesma maneira atraente da caranha crua (415). Esfrie e sirva.
415 - Caranha vermelha crua em tiras n9 1 Tai (sasimo) Cor¬tar uma caranha vermelha em pequenas postas; arranjá las sobre uma travessa com nabo branco e cenoura cortadas em rodelas. Servir com nabo branco comprido ralado (daikon) e com molho de soja em pratinhos de sobremesa.
416 - Caranha vermelha n9 2 Cortar em filetes fininhos, compri¬dos, uma caranha vermelha. Salpicar com sal e colocar numa cesta ou numa peneira. Após 20 minutos, escorrer água fria da torneira lentamente sobre eles. Quando a carne estiver fir¬me, colocá los sobre uma camada de nabos brancos, de cenou¬ras, etc. bem picadinhos. Servir em pratinhos de sobremesa.
417 - Carpa crua Preparar a carpa do mesmo modo que a caranha vermelha nº 2 (416). A carpa lavada é muito Yin, razão por que não deve ser comida com freqüência ou diariamente.
418 - Sopa de cadozes (peixinhos de água doce) Preparar uma sopa de missô e adicionar cebolinha verde. Lavar os peixinhos e mergulhá los na sopa fervente.
419 - Outro prato com peixinhos de água doce - (Yanagawa). Cor¬tar os peixinhos ao comprido em dois, deixando as duas metades unidas. Refogar em pouco óleo raízes de bardana cor¬tadas bem fino no sentido longitudinal. Arrumá las numa frigi¬deira, tipo yanagawa, e sobre elas dispor os peixinhos com os lados abertos para cima, sobre os quais derrame um ovo batido.

Adicione um molho bem temperado com sal e shoyu e ferva. Ao servir na travessa, ter cuidado para que o peixe não se desa¬gregue, caso tenha usado frigideira comum, por não dispor do tipo yanangawa.

420 - Caranha vermelha salgada, grelhada ou assada no forno Escamar e limpar uma caranha, salpicar com sal. Cozinhar no forno ou sobre a chama do gás. Pode ser assado no espeto. Neste caso, as barbatanas e a cauda devem ser cobertas com um papel molhado. Quando assada no forno, untar a travessa ou forma com óleo. Cortar em pedaços grandes.

421 - Peixe salgado e grelhado Escamar e limpar o peixe. Pulve¬rizá lo com sal e grelhá lo sobre a chama de gás. Servir com molho de soja. Pode se fazer o mesmo com cavala, lúcio, sar¬dinhas, carapaus, etc.

422 - Atum assado ou (rabo amarelo assado) Cortar o atum ou rabo amarelo em pedaços grandes e assar no forno. Mergulhar os pedaços numa mistura de molho shoyu e água (em partes iguais) levar novamente ao forno. Colocá los em seguida numa travessa; derramar em cima o resto da solução de molho de soja engrossado com farinha de araruta.

423 - Peixe espada Cavalla estufado Refogar em óleo grossos pedaços de cenouras, cebolas, couve, couve flor; adicionar água e ferver bem. Cortar o peixe em pequenos pedaços e fritar em bastante óleo até dourar. Adicioná los aos legumes e ferver. Fazer uma massa fina de farinha torrada no forno com um pouco de óleo e derramá la sobre o peixe e os legumes para engrossar. A couve flor se desmancha quando é fervida durante longo tempo; por isso deve ser cozida à parte e adicionada por último, antes de engrossar, fazendo um prato atraente.

424 - Ensopado de peixe espada (cavala) pequeno (Nituke) Limpar o peixe e cortá lo em pedaços, inclusive a cabeça, e ferver numa solução de partes iguais de água e shoyu.

425 - Sopa de peixe espada Cavala vermelha) Preparar um “consommé” com alga “kobu” e atum seco ou em pó, use 2 litros de água e 20 centímetros de “kobu”. Quando a água fer¬ver, adicionar três colheres de sopa de flocos de atum seco. Ferver bastante, coar e deixar de lado. Cortar o peixe em pe¬quenos pedaços e cozê los rapidamente. Cozinhar, por instantes, cebolinha verde picada. Cozinhar os pedaços (torresmos) que ficaram de molho na água. Coar os líquidos, separadamente, destas fervuras e adicioná los à sopa. Colocar cada um dos ingredientes nas tigelas de sopa japonesas, derramando nelas a sopa depois de temperada com sal. Pôr um pouco de casca de laranja em cada tigela e cobri las. Preparar do mesmo modo as sopas de frango, pato, camarão, arenques, etc.

Anterior  - MACROBIÓTICA ZEN / CAPÍTILO XVIII  

Macrobiótica Zen - Capítulo VII

ALIMENTOS PRINCIPAIS

A meu ver, a coisa mais estranha, no Ocidente, é a ausência total da concepção mais fundamental da vida, isto é, a do alimento principal. Minha descoberta mais significativa na América, de equi¬valente importância à que fez Cristóvão Colombo, é que, aqui, a idéia de uma alimentação básica desapareceu por completo. Ne¬nhum mestre ou erudito da medicina, na época atual, parece ter cons¬ciência de sua grande importância.
Por contraste, no Oriente, sempre foi o alimento tido como fator mais importante da existência, chegando a ser divinizado desde os primórdios da história dos povos orientais. Nos “Upanishads” lê se que os sábios, à procura de Deus, acreditavam que Ele era repre¬sentado na Terra pelo cereal. De acordo com esta tradição, as famílias Bráhmanes do sul da Índia ainda oferecem uma oração ao arroz, antes de ingeri lo.
A idéia do alimento básico, cujo fundamento e significação é primariamente biológico e fisiológico, sendo de segunda consideração o aspecto econômico, geográfico e agrícola, é uma das descobertas mais importantes feitas pelo homem. É totalmente equivalente à descoberta do fogo, que possibilitou ao homem criar a civilização (a união ou fusão de toda a religião, filosofia, ciência e tecnologia) e que determinou a história e a evolução do alimento.
Obviamente, pode se viver comendo quase tudo o que agrada ao nosso discernimento, tanto sensorial, sentimental, intelectual, eco¬nômico como moral ou ideológico. Mas existe um limite para esse tipo de alimentação, isto é, a infelicidade, de que decorrem inúmeros males, como a escravidão, a doença, guerras e crimes.
Em certa época, o claro conceito da distinção entre alimentos principais e secundários possibilitou ao povo do Oriente a viver uma vida relativamente feliz, livre e pacifica, até surgir a importação da falsa civilização Ocidental, violenta, “fascinante” com suas invenções e expedientes industriais e científicos.
Minha experiência pessoal é prova cabal do que afirmo. Na minha infância, há cerca de 60 anos, era eu feliz, comendo e bebendo se¬gundo as normas tradicionais. No entanto, com a penetração daque¬la civilização, nossa vida familiar foi por ela destruída. Presenciei a morte de minha mãe, com apenas 30 anos de idade, de minhas duas irmãs e de meu irmão mais moço, como conseqüência direta da introdução de alimentos e remédios ocidentais em suas vidas. Chegou, em seguida, a minha vez. órfão e pobre, com 10 anos, por felicidade fui obrigado a abandonar os alimentos e medicamentos ocidentali¬zados, por falta de recursos financeiros. Mesmo assim, aos 16 anos estive à beira da morte, em conseqüência das grandes quantidades de açúcar refinado e doces que continuei a usar.
Aos 18 anos, redescobri a medicina Oriental com sua base sólida, calcada em uma filosofia Cosmológica, que me curou radicalmente. Desde então, decorridos 48 anos, não estive mais doente, salvo quan¬do em certa ocasião, eu, deliberadamente, provoquei a terrível (e geralmente incurável) moléstia conhecida por “úlceras tropiciais”, ao fazer pesquisas sobre os grandes problemas da medicina, no hospital do Dr. Schweitzer, em Lambarene, na África. Pela medicina macro¬biótica venci essa doença em poucos dias.
Venho ensinando há 48 anos, ininterruptamente, minha filoso¬fia (a higiene de “Hygeia”) a todos os que encontro em meu caminho. Nunca encontrei alguém que não tivesse melhorado ao segui Ia de maneira absoluta e rigorosa. Os únicos que não podem ser curados são os incapazes de compreender esta filosofia prag¬mática, simples e dialética, a Ordem do Universo e o seu Principio Único.
Lembrai vos, pelo menos 60% de vossa alimentação deve ser constituída de Alimentos Principais.

PRATOS À BASE DE ARROZ

(Nota do Tradutor Estando o autor mais familiarizado com a cozinha tradicional japonesa, foram incluídos na tradução os nomes de certas receitas em japonês, para melhor identificação e interna¬cionalização dos pratos macrobióticos).
1 - Arroz integral Escolha bem o arroz, adicione duas ou três vezes o seu volume de água, em uma pequena quantidade de sal. Quando ele ferver, deixe o cozinhar lentamente, em fogo brando, durante uma hora, até que o arroz no fundo
da panela esteja ligeiramente torrado (queimado). A parte amarela é mais Yang, portanto a melhor, porque é a mais pesada, a mais rica em minerais e a de maior valor nutritivo. É por essa razão que ela é particularmente eficaz para as pessoas doentes, e Yinizadas. Se utilizar uma panela de pressão, convém usar um pouco mais de água e cozinhar com fogo brando, depois de ferver durante 20 a 25 minutos. Em seguida, apague o fogo e deixe em repouso, durante 10 a 20 minutos, antes de remover a tampa.
2 - Arroz (sakura) Adicionar ao arroz 5 a 10 % de molho japonês (de soja) puro e cozinhar conforme explicação acima (nº1).
3 - Arroz com feijão “Azuki” Preparar o arroz como nº 1, adi¬cionar o feijão japonês (feijão vermelho de grãos pequenos), parcialmente cozido, salgar e pô lo a ferver. Se tiverdes uma panela de pressão, podereis adicionar o feijão cru, desde o começo. (Nota do tradutor: o feijão “azukh” é plantado em São Paulo e Paraná pelos agricultores japoneses. É o único feijão usado na Macrobiótica).
4 - Arroz com verdura (Gomoko) Misturar, ao arroz fervido, 5 a 10% de legumes cozidos (nituke). (Nota do tradutor: “Nituke” refere se ao ensopado de vegetais, sem caldo).
5 - Arroz com verduras fritas, Shahan (Receita nº1) Adicionar ao arroz cozido os legumes refogados com um pouco de molho, japonês sem água (como no nº 4) e fritar numa reduzida quan¬tidade de óleo vegetal.
6 - Arroz com verduras fritas (Receita nº2) pôr os legumes refogados numa frigideira. Adicionar o arroz cozido, conforme explica no nº1, e fritar. Salgar ligeiramente.
Nota Refogado: cozinhar sem água, com um pouco de molho, de soja (“Nituke”).
7 - Croquetes Misturar os legumes refogados (nituke) ao arroz cozido e adicionar um pouco de farinha. Acrescentar um pouco de água e fazer os bolinhos chatos. Fritá los em bastante óleo.
8 - Bolinhos de arroz Molhar a mão esquerda numa solução forte de sal (5%). Tomar duas colheres de sopa de arroz cozido, prensar com a mão direita e dar lhes a forma de uma bola triangular. Cobrir com sementes de gergelim torrado.
9 - Bolinhos fritos Fritar os bolinhos de arroz da receita acima, em bastante óleo, até torrar os dois lados.
10 - Bolinhos com legumes diversos Formar bolas triangulares de arroz cozido com legumes refogados (Nituke).
11 - Arroz de gergelim Adicionar 10% de sementes de gergelim torrado e um pouco de sal ao arroz preparado, conforme o nº 1.

12 - Bolinhos de arroz com gergelim Adicionar 20% de sementes de gergelim torrado ao cozido, e formar bolas triangulares.
13 - Bolinhos de arroz e feijão “Azuki” Fazer bolinhos com o arroz, com feijão preparado conforme receita nº 3.
14 - Bolinhos de arroz com algas (“Nori”) Enrolar os bolinhos em folhas de algas “nori” tostadas. É um prato muito agradável para piqueniques e viagens.
15 - Bolinhos de arroz com algas de cará marinho (Tororo) Cubram se os bolos de arroz com algas de cará marinho em pó (tororo ou oboro).
16 - Bolinhos de arroz com ameixas salgadas de três anos (Ume¬boshi) Pôr uma destas ameixas no centro de cada bolinho; não somente o sabor melhorará, mas o arroz se conservará por muitos dias, mesmo no verão. Deverão ser usadas só 10 gramas de uma das ameixas indicadas. ótimo para viagens.
17 - Sopa grossa de arroz (Kayu) Cozinhe o arroz em 5 a 7 partes de água e salgue (Este prato é excelente para doentes ou pessoas sem apetite).
18 - Bolinhos, croquetes de arroz com alga nori - Tostar ligeira¬mente as algas e colocá las sobre uma esteira de bambu. Es¬palhar o arroz cozido numa espessura de 2 em e colocar sobre ele legumes refogados (cenouras, raiz de bardana, raiz de lótus, etc.) Enrolar tudo junto e cortar em croquetes de 3 a 4 em. Servir atrativamente num prato.
19 - Canapé (Salgadinhos para ocasiões especiais) de verduras va¬riadas (Gomoku). Dispor atraentemente, numa caixa retan¬gular, duas cenouras refogadas, duas raízes de lótus cortadas bem fino e também refogadas, dois ovos batidos e fritos numa fina camada de óleo e agrião picado e refogado. Em cima de tudo, prensar o arroz cozido com 5 em de espessura. Inverta o prato e corte em pedacinhos para servir.
20 - Arroz com castanhas Cozinhe as castanhas até ficarem ma¬cias. Após, faça as ferver com o arroz. Se utilizar a panela de pressão, junte as castanhas cruas ao arroz e ferva. As castanhas deverão ser usadas na proporção de 10 a 20%.
21 - Sopa espessa de arroz integral e verdura (Missô ”Zosui”) Adicione ao arroz, preparado conforme receita 17, uma colher ¬de café de pasta de soja. Pode se fazer isso com arroz cozido, juntando água ou sopa de missô. Este prato torna se ainda mais delicioso, quando se adiciona um pedaço de bolo de arroz “moti”, tostado, frito ou assado.
22 - Cuscuz e arroz Cozinhe se o arroz como de costume e junta¬ se lhe feijão fradinho com cebola.
23 - Creme de arroz Tostar o arroz até ele se tornar castanho claro. Moer. Adicionar três copos d'água para cada 4 colheres de sopa de arroz moldo. Deixar no ponto de fervura, durante 25 minutos e adicionar água, se for necessário. Salgar a gosto.
24 - Bolo de festa (Omedeto) Assar 20 g de arroz, adicionar 50 g de feijão japonês azuki e cozinhar em 12 partes de água, du¬rante 1 hora mais ou menos. Usando panela de pressão, adicio¬nar apenas 5 a 6 partes de água. É ótima sobremesa.
25 - Sopa de arroz Afinar o creme de arroz com água. Servi lo com pão torrado, em pedacinhos, e salsa picada.
26 - Bolinhos de arroz fritos Adicionar uma pitada de sal à fari¬nha de arroz, juntando água suficiente para dar consistência aos bolinhos. Fritar em óleo.
26a - Arroz torrado Torrar o arroz em uma frigideira até tostar bem. Comer sem cozinhar. Este arroz é bom para tratamento do hiperinsulinismo e do reumatismo.

PRATOS À BASE DE TRIGO MOURISCO
(SARRACENO)(CACHÃ)

27 - Cachá (Trigo mourisco em grão). Fritar, ligeiramente, uma xícara de trigo sarraceno numa colher de óleo. Adicionar duas taças de água e uma colherinha de café rasa, de sal. Ferver, lentamente, em chama baixa desde o começo. Servir com legu¬mes refogados, creme de pasta de soja ou com missô.
28 - Croquetes Adicionar ao cachá cozido cenouras picadinhas e cebolas, etc., farinha, um pouco de água e sal. Misturar tudo. Fazer bolinhos e fritar em óleo.
29 - Cachá frito Misturar cachá cozido com um pouco de farinha, cebolas picadinhas, sal e água. Fritar em óleo, deixando cair a massa na frigideira com uma colher.
30 - Cachá “granité” Colocar cachá cozido numa caçarola e cozi¬nhá lo no forno, até que a parte superior fique bronzeada.
31 - Creme de trigo sarraceno (Kaki) Diluir farinha de trigo sarraceno em 2,5 partes de água. Levar ao fogo e mexer até cozinhar bem. Servir com molho de soja (shoyu).
32 - Creme de trigo sarraceno Dourar bem duas colheres de sopa bem cheias de farinha de trigo mourisco, numa colher de sopa de óleo. Adicionar uma ou duas xícaras de água; ferver até engrossar e salgar conforme o gosto. Servir numa sopeira com pedacinhos quadrados de pão torrado no azeite.
33 - Trigo sarraceno frito (1) Diluir a farinha de trigo sarraceno ("cachá") em uma e meia parte de água. Adicionar um pouco de sal e fritar como se fossem batatas em bastante óleo.

34 - Trigo sarraceno frito (2) À mistura acima citada, adicionar cebola picada, antes de fritar.
35 - Trigo sarraceno “gratiné” Fritar, ligeiramente, cebolas, ce¬nouras e couve flor em óleo e em seguida ferver em um pouco d'água e salgar. Colocar tudo numa caçarola, derramar por cima uma fina camada de sarraceno e assar no forno.
36 - Trigo sarraceno “doméstico” ou “escoado” “Teuchi” ou “Zaru” Adicionar um ovo, uma colher de chá rasa de sal, um pouco de água, meio quilo de farinha de trigo mourisco. Amassar até endurecer, espichar e depois amolecer até ficar brilhante e formar uma espessura de alguns milímetros; enrolar, cortar em pedaços o mais fino possível. Largar em água fervente até ficar pronto (no ponto). Colocar a massa numa peneira para escorrer. Recolher a água da fervura. Derramar água fria e escoar. Se for usado talharim seco de trigo mourisco (soba), cozinhar em água. A água do cozimento pode ser usada como bebida ou para cozinhar vegetais, por conter proteína pura.
37 - Molho de trigo sarraceno (Mori) Cortar em pedacinhos uma cebola verde e fritar ligeiramente, com uma colher de café de óleo. Acrescentar três xícaras de água, doze centímetros de algas “Kobu” secas (algas longas, colhidas a uma profundi¬dade de 20 metros). Fazê las cozinhar bem. Retirar as algas e guardá las para usar novamente. Adicionar uma colher de café de sal e 5 colheres de sopa de molho japonês (shoyu). Retirar do fogo assim que começar a ferver. O molho deve ser um pouquinho salgado. Sal a gosto.
38 - Trigo sarraceno (Rake) Colocar o talharim doméstico, de trigo mourisco, numa peneira e despejar água fervendo sobre o mesmo. Servir em tigelas e adicionar molho de trigo mourisco, (receita nº 37) por cima.
39 - Trigo sarraceno ensopado com verduras fritas (Tempura) (à milanesa) Aquecer o talharim de trigo mourisco (soba) e colocá lo em tigelas. Colocar em cima camarão ou verduras à milanesa, (tempura) (78) e cobrir com molho de trigo mourisco (receita 37).
40 - Trigo sarraceno com feijão frito (Kitune) Aquecer o talharim de trigo mourisco (soba), colocando o em tigelas. Adicionar feijão vagem, cebolinha verde cozida. Acrescentar molho de sarraceno sobre tudo (37).
41 - Trigo sarraceno cremoso (Ankake) Aquecer (soba) talharim de sarraceno e servir em tigelas. Fritar ligeiramente em óleo, cebola verde, cenoura, couve, etc. Adicionar molho de sarra¬ceno (37), e em seguida acrescentar um pouco de pasta de farinha de araruta, que se obtém misturando farinha de araruta com água, pouco a pouco. Ferver até alcançar determinada consistência (que engrosse) e derramar a mistura assim obtida sobre o talharim.
42 - Trigo sarraceno frito (Jaki) Fritar o talharim doméstico (ou soba em pouco óleo; colocar num prato e despejar por cima legumes teremosos7, Ankake (41).
43 - Missô à Sarasina Preparar molho da pasta de soja (“missô”) (ver nº 201) e de "tahin” (manteiga de gergelim) e derramá-¬lo sobre o talharim de sarraceno.
44 - Trigo sarraceno “gratiné” Fritar ligeiramente em pouco óleo, cebolas, cenouras, couve flor, etc. Preparar molho becha¬mel (219) e misturar com os legumes. Por o talharim de sarraceno cozido numa caçarola, despejar por cima a mistura e levar ao forno. Sal ao sabor.

MASSAS DE FARINHA DE TRIGO INTEGRAL

45 - Macarrão, talharim “vermicelli”, etc. Ferver, escoar, lavar em água fria. Estes alimentos podem ser preparados do mesmo modo que o trigo sarraceno.

PRATOS À BASE DE PAINÇO E OUTROS CEREAIS

46 - Painço Fritar ligeiramente uma xícara, de painço em duas colheres de sopa de óleo, adicionar um pouco de sal e quatro partes de água. Aquecer em fogo brando, baixando a chama quando entrar em ebulição. Ferver a fogo lento até que fique macio. Servir com creme de pasta de soja (“missô”), refogadi¬nhos de verduras (Nituke) (cozidos com uma pequena quan¬tidade de molho de soja) ou pasta de soja. Este painço poderá ser usado para fazer croquetes de cachá, cachá frito, etc.
47 - Cuscuz Poderá ser cozido em banho maria, ou fervido como o cachá. Ferver cebolas picadas até que estejam bem cozidas. Adicionar pequena quantidade de óleo e sal quando macio. Servir tudo junto. 2 uma receita árabe. Não se encontrando nas casas do gênero, poderá ser usada a farinha de trigo inte¬gral grossa.
48 - Bour gour Prepara se do mesmo modo que o cachá, conforme o processo armênio. Para isso, deve se usar farinha grossa cozida em banho maria e seca, que é oferecida à venda.
49 - Mingau de aveia Da mesma maneira que o nº 47. Não usar leite.


ALIMENTOS MEDICAMENTOS

50 - Arroz cru Tomai um punhado de arroz cru, em lugar do café da manhã. Expelireis todos os parasitas de vosso intestino, e, em particular, do duodeno. Se continuardes durante alguns dias, ficareis surpreendidos de ver surgir tantos parasitas, às vezes, até pela boca e pelo nariz. Não conheço nada mais eficiente, porém é necessário mastigar ao menos 100 vezes.
51 - Sementes de abóbora “Hokkaido” (Hokkaido é a região norte do Japão, extremamente fria) Aquecer bem as sementes desta abóbora. Salpicar sobre elas um pouco de água salgada ou fritá las em pouca quantidade de óleo e sal. Pode se comer como sobremesa, como é costume na China. É excelente para expelir parasitas, em particular a solitária.
52 - Sal e gergelim (Gomásio) Tostar sementes de gergelim. Moer cuidadosamente e adicionar 20% de sal tostado. Aquecer nova¬mente e moer bem a mistura. Adicioná la ao arroz, ao pão, etc. Consumir umas duas colheres de café por dia. 0 gomásio deve ser conservado em recipiente (vidro) hermeticamente fechado. 2 um dos melhores desacidificantes do sangue.
53 - Ameixa japonesa salgada (“Umeboshi”) São ameixas japo¬nesas, conservadas no sal, pelo menos, durante 3 anos. Todas as famílias japonesas tradicionalistas as preparam anualmente.

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Macrobiótica Zen - Capítulo VI

CAPITULO VI

O "YlN" E O "YANG"

Yin Yang são forças antagônicas, porem complementares. Se¬gundo minha experiência, esta afirmação já é, em si, incompreensível à maioria dos ocidentais. Por isso, neste guia, simplifiquei a teoria em que ela subjaz. Enquanto tratardes de compreender a fundo essa filosofia, procurai seguir fiel e rigorosamente as minhas indi¬cações; sem o menor receio nos vossos momentos de incerteza, tomai a decisão de prosseguir até o feliz final, como o professor Herrigel seguiu as do mestre Awa.1 Isto é menos difícil do que o jejum. Lembrai vos de que podeis comer tanto quanto vos apetecer, contanto que mastigueis bastante.
Tendes o direito e a responsabilidade de ir em busca da saúde e da felicidade, porém devereis fazê lo, vós mesmos, e para vós, sem depender de outros. Nada mais fazeis, assim procedendo, do que se¬guir o exemplo que nos dão os animais silvestres.
Eis a seguir, um pequeno esboço da teoria Yin Yang:
De acordo com a nossa filosofia, tudo se resume, neste mundo, sob o aspecto físico, em Yin força centrífuga, e Yang, força centrípeta. A força centrípeta é a construtiva e produz o som, o calor, ação e luz; a força centrífuga é expansiva, fonte do silêncio, da calma, do frio e da escuridão. Os fenômenos físicos seguintes são conseqüências dessas duas forças fundamentais:








1 Ler "ZEN et le tir à l'arc", de Herrigel.

ELEMENTOS Potássio (K) o elemento representativo "Yin". Todos os elementos químicos na tabela periódica (O. P. Ca, N. etc.) são Yin, exceto os poucos enumerados na coluna "Yang". Sódio (NA) o elemento
representativo Yang. Os elementos Yang na tabela periódica são: H, As, C, Li, Na, Mg.


BIOLÓGICO E FISIOLÓGICO

O que devemos comer? O que é melhor, ser vegetariano ou frugívero? Ambos são desaconselháveis? Pense, pense e pense mais ainda. Somente o raciocínio vos dará compreensão, saúde e felicidade. O raciocínio correto é feito em termos de Yin e de Yang, dialética prática, chave para o Reino dos Céus. Para quem conhece as forças Yin e Yang e sabe como equilibrá las, o Universo e a vida constituem a maior universidade gratuita à disposição do homem. Para o indi¬víduo que nada sabe deste princípio, a vida é um inferno na terra.
O Yang e o Yin derivam um do outro:
As regiões do globo que são Yin produzem animais e vegetais Yang; reciprocamente, os animais e vegetais que nasceram em re¬giões Yang, isto é, quentes, são Yin. Da mesma maneira, o óvulo produzido pelo sexo feminino (Yin) é Yang, enquanto que, inversa¬mente, o espermatozóide produzido pelo sexo masculino (Yang) é Yin.
As sete leis da Ordem do Universo são suplementadas por doze teoremas do Principio Único. Estes teoremas definem o funciona¬mento do mundo relativo e são assim formulados:


1 - Yin Yang são os dois pólos da expansão pura infinita; eles apre¬sentam se quando a pura expansão infinita (centrifugação) atinge o ponto geométrico de bifurcação.
2 - Yin e Yang surgem continuamente da pura expansão infinita.
3 - Yin é centrífugo; Yang é centrípeto. Yin produz expansão, leve¬za, frio. Yang produz constrição, peso, calor, luz. Yin e Yang produzem energia.
4 - Yin atrai Yang; Yang atrai fin.
5 - Todo fenômeno é produzido pela combinação Yin Yang em va¬riadas proporções.
6 - Todos os fenômenos são efêmeros, devido às constantes altera¬ções dos componentes Yin e Yang. Tudo está sempre em movi¬mento.
7 - Nada é exclusivamente Yin ou Yang. Tudo encerra polaridade.
8 - Não existe nada neutro. Yin ou Yang está em excesso em qual¬quer ocorrência.
9 - A força de atração entre as coisas é proporcional à diferença de seus componentes Yin e Yang.
10 - Yin repele Yin; Yang repele Yang. A atração ou repulsão entre
duas coisas está na proporção inversa à diferença de suas forças
Yin e Yang.
11 - No extremo Yin produz Yang, e Yang produz Yin.
12 - Todas as concreções físicas são Yang no centro e Yin na peri¬feria.

C O M E N T À R IO S

Transcrevemos nesta edição brasileira de “MACROBIÓTICA ZEN” o que consta na edição revista da tradução americana, publi¬cada pelo Centro Macrobiótico de Los Angeles, Califórnia.

ATENÇÃO

Deve ficar entendido que somente os alimentos na categoria dos CEREAIS são considerados como ALIMENTOS PRINCIPAIS. Podem ser consumidos diariamente, e em cada refeição. Constituem eles a base do regime Macrobiótico.
Todos os demais alimentos e bebidas constantes da referida tabela, quer sejam classificados como Yin ou Yang, devem ser usa¬dos em PEQUENAS quantidades, ocasionalmente e com CAUTELA.
Por exemplo, a maçã apesar de aparecer na tabela como a fruta mais Yang (AA) não pode ser comida, sem risco, de maneira tão freqüente como o arroz integral. Não obstante serem as maças Yang, toda a categoria das FRUTAS, é muito Yin, comparada com a cate¬goria dos CEREAIS. Portanto, só uma, pequena quantidade de maçã pode ser comida ocasionalmente pelos que não estão doentes. Nenhu¬ma fruta deveria ser comida por aqueles que estão doentes.
As próprias categorias de alimentos e bebidas, isto é, cereais, vegetais, etc., estão relacionadas num ordenamento que designa a quantidade (porcentagem total do alimento servido) e a freqüência com que devem ser usadas. Por exemplo:

Os CEREAIS são SEMPRE usados como base de uma refeição. São usados na quantidade maior, de pelo menos 609ó no total do alimento servido.
Os VEGETAIS são usados como suplemento dos CEREAIS, mas em menores quantidades e menos freqüentemente.
O PEIXE é usado em quantidades ainda mais reduzidas e ainda menos freqüentemente.
OS ALIMENTOS DE ORIGEM ANIMAL, OS LATICINIOS, as FRUTAS e demais alimentos miscelâneos, relacionados na ,Tabela de Alimentos Macrobióticos”, devem, por sua vez, ser usados em quantidades sucessivamente ainda menores e ainda com menos freqüência.
Todas as BEBIDAS da tabela, classificadas tanto como Yin ou Yang, devem ser usadas nas mínimas quantidades e o menos seguidamente. Se possível, não beba líquidos em quan¬tidade superior a um quarto de litro (3 xícaras) por dia.
Também é aconselhável escolher os alimentos que estejam no ponto ou aproximadamente perto do ponto intermediário, entre o extremo Yin e o extremo Yang, dentro de cada categoria, salvo quando houver uma razão específica para alguma outra escolha. Este é o ponto delicado do equilíbrio, pelo qual se consegue a maior soma de saúde e felicidade.
Queremos tornar bem claro, entretanto, que viver macrobiotica¬mente não significa uma aderência rígida a uma série de regras. A manutenção de um equilíbrio sadio na nossa vida cotidiana requer de cada indivíduo uma capacidade de adaptação e uma percepção das influências em permanente mutação de muitos fatores. Isto faz com que uma existência feliz e saudável resulte em uma tarefa permanen¬te e ininterrupta.
A espécie de clima no local onde vivemos e o tipo de atividade que exercemos determinam aquilo que devemos comer e como comer. (Fatores como o lugar do nascimento, nosso tipo constitucional, a estação do ano, assim como muitas outras coisas, são tomadas em consideração à medida que se expande nossa compreensão da Ordem do Universo). Por exemplo, o homem que vive num clima frio neces¬sita de alimentos que sejam um pouco mais Yang do que aqueles que necessitam os habitantes dos trópicos; quem trabalha, por exemplo, no campo, pode tolerar um pouco mais de alimentos Yin do que aque¬les que trabalham confinados em um escritório. Tudo é relativo e é determinado pelo próprio indivíduo, pois nenhum conjunto de regras tem a possibilidade de abranger todas as variações que existem de uma para outra pessoa.
A frase empregada, um pouco mais de Yang, não deve ser en¬tendida como significando uma dieta baseada inteiramente em carne, assim como mais Yin não implica em uma dieta em que prevalecem as frutas e o açúcar. Entretanto, o fato de que nossa ingestão diária de alimentos é baseada preponderantemente em cereais, é tida como certa e aceita.
Em tudo existe o Yin e o Yang. Considereis, por exemplo, o arroz. Basicamente, o arroz integral é mais Yang do que o arroz polido. Não obstante, entre as diversas variedades de arroz integral, existem umas que são mais Yin ou mais Yang do que outras. A conclusão final depende, pelo menos, de três fatores:
Como foi o arroz cultivado?
Em que clima?
Qual o tamanho do grão, forma, conteúdo de H,O, e tonalidade de cor?
O que se revela como fator de primordial importância, é cons¬cientizar que, a fim de alcançar um grau elevado de saúde e felicidade, o indivíduo precisa:

1. Compreender, pelo estudo, a Ordem do Universo de que ele é uma parte;
2. Aprender a tornar se consciente de si mesmo (autoconhecer-¬se) e de suas reações, com relação ao seu ambiente;
3. Pensar, pensar e pensar, durante todo o tempo.

TABELA DE ALIMENTOS E BEBIDAS (V = Yin A = Yang)
















OBSERVAÇÕES

Todos os alimentos e bebidas devem ser naturais, isto é nunca indus¬trializados ou artificialmente preparados. Devem ser evitadas as carnes de aves, frangos, perus, patos, etc. que tenham sido alimentados qui¬micamente, bem como os ovos de tais aves.
Os ovos fertilizados, destinados à produção de pintos, são os que a galinha põe depois de ter sido fertilizada por um galo. Os que ela põe normalmente, não fertilizados, são os que estão à venda e usados pela grande maioria dos consumidores hoje em dia. São des¬tituídos de vida, biologicamente falando, e não são usados na dieta macrobiótica.
O ovo fertilizado pode ser reconhecido pelo seu tamanho pequeno e seu formato arredondado de um lado e estreitando na outra ponta.
É muito difícil, hoje em dia, encontrar água, e até sal e ar, em estado natural, não adulterados. Mas, podemos felizmente resistir aos venenos neles introduzidos pela comercialização e industrializa¬ção, contanto que a saúde de nossa constituição tenha sido restabe¬lecida.
As forças Yin Yang variam de acordo com a estação do ano e o clima do local em que se originaram. Além disso, as características, Yin Yang dos alimentos podem também ser grandemente influenciadas pela preparação culinária e pelo modo de comer. Dai a ca¬pital importância do preparo do alimento, e do modo de nos condu¬zirmos à mesa. (No Japão antigo (tradicional), os atos de comer e beber eram considerados como cerimônias de máxima importância: as criadoras da Vida e do Pensamento). Devemos lembrar a profunda significação da invenção do FOGO. É o ponto de partida da linha di¬vergente do homem da de todos os outros animais.
Damos, a seguir, um exemplo de cardápio para uma semana, entre centenas de outros, que poderão ser preparados.




Podeis adicionar sempre, gomásio (Gergelim e sal torrado e moído gersal) e molho de soja aos vossos alimentos,
Chá de três anos (Banchá) com molho de soja (shoyu) é reco¬mendado antes e depois de cada refeição.
Molho de soja (shoyu, tamari) pasta de soja (missô), queijo de soja, substituem a manteiga, o queijo de origem animal e a marga¬rina.

NOTA DO EDITOR BRASILEIRO

Mesmo sendo ingredientes indispensáveis na alimentação macrobiótica, o gersal (gomásio), o shoyu (tamari) e o missô (pasta de soja), pelas elevadas proporções de sal que contém, sempre devem ser consumidos com moderação.
O seu uso em maiores quantidades só é indicado com finalidades terapêuticas e, neste caso, recomenda se ao leitor que se aconselhe com um orientador macrobiótico experiente.

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Macrobiótica Zen - Capítulo V

( Transcrição completa do Livro de George Ohsawa)

AS DEZ MANEIRAS DE NOS ALIMENTARMOS CONVENIENTEMENTE

Existem dez maneiras de comer e de beber pelas quais podereis obter uma vida sadia e feliz. O alvo é manter um bom equilíbrio Yin Yang, de acordo com nossa filosofia cosmológica, biológica e fisiológica. Mas mesmo sem compreender a teoria, podereis seguir e escolher qualquer um dos dez caminhos, que conduzem para a saúde, paz e felicidade, indicados no quadro abaixo, observando as indica¬ções muito cautelosamente.

DEZ CAMINHOS DA SAÚDE PARA A FELICIDADE





Podereis começar por substituir todos os alimentos de origem animal pelas frutas e saladas, tornando vos deste modo vegetaria¬nos. Se, porém, não chegardes ao bem estar desejado, experimentai um dos regimes mais altos. O mais alto, o n11 7, é o mais fácil, o mais simples e o mais sábio. Quanto menor o número da dieta, tanto mais difícil. Experimentai o regime mais simples e mais fácil durante 10 dias, observando as seguintes regras:


1 Não ingerir alimentos sólidos ou líquidos fornecidos pela in¬dústria, tais como açúcar, doces e refrigerantes, alimentos enlatados ou engarrafados, ovos não fecundados, conser¬vas, etc.
2 Cozinhar os alimentos de acordo com as recomendações do Apêndice IX, utilizando somente óleo vegetal ou água. (Nas boas li¬vrarias já existem ótimos livros de culinária macrobi6tica, cuja leitura recomendamos).
3 A medida que a vossa condição física e mental melhore com o resultado de sua mais apurada compreensão do Princípio Único, Yin-¬Yang, podereis experimentar os regimes mais baixos da tabela, porém vagarosa e cautelosamente; suposto que sois curioso e aventureiro. De outra forma, podereis continuar os regimes acima do n.º 3, durante o tempo que desejardes, sem nenhum perigo. Se não melhorardes, po¬dereis controlar o vosso estado de saúde de tempos em tempos, a luz das sete normas da saúde e felicidade, vol¬tando ao regime n.º 7, durante uma ou duas semanas, ou mesmo alguns meses.
4 Não comer frutas nem legumes cultivados artificialmente, com adubos químicos ou inseticidas.
5 Não comprar alimentos provenientes de regiões muito dis¬tantes daquela em que viverdes, (num raio de 5O quilômetros), por¬que requerem métodos de conservação que são muito prejudiciais.
6 Não consumir nenhuma hortaliça, vegetais, verduras, fora da estação própria.
7 Evitar absolutamente os legumes mais Yin; batatas, to¬mates, e beringelas.
8 Não usar condimentos ou temperos químicos, inclusive to¬dos os molhos e massas de soja japoneses, (missô e shoyu) comercia¬lizados, com exceção do sal natural (marinho) e do molho macro¬biótico (shoyu) (tamari)e da massa de soja (missô) de procedência idônea e confiável.
9 O café é proibido. Não tomar chá contendo corantes cancerígenos. Isto inclui quase todos os chás à venda nas casas comerciais. :São permitidos o chá japonês (ban chá) e o chá chinês natural, sem corantes, assim como o chá de cevada torrada, sem açúcar.
10 Quase todos os alimentos de origem animal, tais como galetos, carne de porco ou de vaca, manteiga, queijo e leite são tra¬tados ou produzidos com produtos químicos. Devem ser evitados. A maioria das aves selvagens, ostras e peixes frescos, em contraste, estão livres de produtos artificiais ou químicos. Podem ser usados ocasionalmente (de vez em quando).
11 Fermento, como o define o “Oxford English Dictionary”, é uma substância amarela que é produzida como uma escuma ou sedi¬mento durante a fermentação alcoólica do mosto da cerveja (do malte) e outros fluidos e sacarina. Tendo o fermento, portanto, base de açúcar, os alimentos que o contêm devem ser consumidos em pequenas quantidades.
12 Bolachas, biscoitos e similares que contêm bicarbonato de sódio, não devem ser usados. A soda provoca crescimento rápido e expansão das massas para esse fim. Como tal é demasiado Yin e não deve fazer parte de uma dieta equilibrada, saudável.

COISAS BOAS PARA COMER

CEREAIS
(integrais, não refinados)

Arroz não polido, só descascado, trigo mourisco ou sarraceno, trigo, milho, cevada, painço, aveia e centeio.
Usá los crus, cozidos, em forma de creme (mingau) quanto lhe apetecer. Prepare com ou sem água, fritos ou assados. Coma quanto quiser, contando que mastigue bastante.

VEGETAIS

Qualquer espécie de verdura produzida no local, próprio da esta¬ção, exceto a batata inglesa, o tomate e a beringela. São permitidos: cenoura, cebola, abóbora, machiche, couve, couve flor, alface, agrião, etc. Vegetais selvagens incluem: dente de leão, tussilagem (unha de cavalo), bardana, agrião bravo, etc.

BOA MASTIGAÇÃO

“Devemos mastigar a nossa bebida e beber o nosso alimento”, dizia Gandhi. Deveis mastigar cada porção (garfada) pelo menos 50 vezes. Se desejardes assimilar a filosofia macrobiótica o mais breve possível, mastigai 100 a 150 vezes. Conheço uma menina japonesa que mastigou um pedaço de cebola 1.300 vezes. Por mais saborosa que seja a porção de alimento, ela se torna ainda muito mais se for bem mastigada. Experimentai mastigar um pedaço de carne cuidadosa¬mente, constatareis que rapidamente perde o seu sabor. Os alimentos que são bons e necessários para o vosso corpo tornam se tão saboro¬sos que já não mais desejareis abandoná los até o fim de vossos dias.


MENOS LIQUIDOS

Aprender a beber menos líquido é muito mais difícil do que aprender a comer sábia e simplesmente, mas é muito necessário. Setenta e cinco por cento do peso do nosso corpo consiste de água. Arroz cozido, por exemplo, contém 60 a 70%, e os legumes 80 a 9091r. Assim, nós quase que invariavelmente ingerimos líquido demais (Yin expansivo).
Para acelerar os resultados da cura macrobiótica, recomendo, pois, beber menos, de modo a urinar somente 2 vezes por dia (as mulheres) e 3 vezes (os homens).
O método de beber, tanto quanto possível, é uma invenção de mentes simplórias. Quem originou semelhante teoria, ignorava com¬pletamente o maravilhoso mecanismo metabólico dos rins e, especial¬mente, o funcionamento dos glomérulos de Malpighi. Errou em con¬ceber os rins como de estrutura e função idênticas a um sistema mecânico de esgotos em que grandes quantidades de liquido lavam e limpam as tubulações de barro, cimento ou ferro fundido. O rim, no entanto, não é encanamento de ferro fundido. IR feito de tecidos, que devem ser flexíveis e porosos, de forma que os processos de filtração, difusão e reabsorção possam ter lugar.
No caso de se tomar liquido em grandes quantidades, as minús¬culas aberturas no tecido semipermeável dos rins diminuem de tamanho (essas aberturas são circundadas por um tecido tipo esponja, que absorve o líquido e incha (se expande), quando então pouco ou ne¬nhum líquido pode penetrar e passar). Para todos os fins práticos, os rins ficam bloqueados. O resultado final é uma completa reversão daquilo que o sistema beba quanto puder pretende. Ajudai vossos rins sobrecarregados e cansados! BEBEI MENOS!

A DELICIOSA COZINHA MACROBIÓTICA

Na cozinha macrobiótica, que pode ser muito deliciosa, requer um cozinheiro de mente criadora, que também compreenda do equilíbrio Yin Yang. Infelizmente, a educação moderna negligencia a capacidade criadora a tal ponto, que é raro encontrar um cozinheiro no Ocidente.
E, no entanto, viver é criar. Sem criação não podemos existir, porque os nossos corpos criam o nosso sangue do alimento e das bebidas que ingerimos diariamente. O nosso poder de adaptação hu¬mana é, em si, o resultado dessa capacidade criadora. A vida é a expressão da criatividade, e por sua vez depende completamente da composição, proporção, preparação e a ordem dos elementos Yin-¬Yang daquilo que comemos e bebemos. O sangue é o criador e o motivador de todas as nossas atividades.
No começo, desconhecendo a cozinha macrobiótica, preparareis pratos que não serão tão deliciosos. Não deveis dar a isso nenhuma importância: comereis menos e dareis umas férias ao vosso estôma¬go e intestinos cansados. Minhas congratulações! Além disso, vossos primeiros pratos provavelmente não serão muito bem equilibrados. Não vos preocupeis demasiado com isso. Pela prática e o estudo de nossa teoria, desenvolvereis o vosso discernimento no preparo Yin e Yang de vossos alimentos, que é a arte mais importante e básica de nossa vida.



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Macrobiótica Zen - Capítulo IV

( Transcrição completa do Livro de George Ohsawa)

SE TIVERDES FÉ, NADA VOS SERÁ IMPOSSIVEL

A filosofia no Oriente é a arte de ensinar a constituição do Uni­verso Infinito, o Reino dos Céus. Seu único propósito é o de ajudar ao homem a compreender esta estrutura ou ordem, para que ele possa alcançar liberdade, felicidade e saúde, para si mesmo, e por si mesmo.

Desde que essa teoria é não só dialética, mas paradoxal e pro­funda, eu a simplifiquei para que possa ser compreendida por todos. A pedra fundamental de todas as religiões do Oriente é a aplicação desta teoria, tanto no plano biológico, como no fisiológico. A ela se devem os princípios dietéticos rigorosos que são parte integrante de quase todas essas correntes religiosas. A não ser que vivais por esses princípios, não podeis compreender ou haurir f orças de vossa religião e de seus ensinos, um f ato largamente ignorado pelos teó­logos ocidentais.
O Budismo, particularmente o Zen‑Budismo, incorpora a obser­vância de leis dietéticas severas. No Ocidente, publicam‑se hoje numerosas obras sobre o Zen‑Budismo e a filosofia hindu, porém nenhuma delas dá uma explicação completa da importância e da su­perioridade de suas bases fisiológicas e biológicas. Não é de estra­nhar, portanto, que a filosofia do Vedanta, do Taoísmo, do Budis­mo, etc., não possa ser compreendida no Ocidente. Se as religiões em seu conjunto perderam a sua autoridade, através dos séculos, é por causa da negligência ou da ignorância desses fundamentos. É essa a razão porque a paz, a liberdade, a saúde e a felicidade estão desaparecendo em todo o mundo.

Disse Jesus: (Mateus, cap. 17, versículo 20) ‑Se tiverdes fé do ta­manho de uma semente de mostarda, direis a esta montanha Remove‑te daqui! E ela se removerá, e nada vos será impossível,). Se tiverdes fé, nada vos será impossível. Se algo vos é impossível, é porque não tendes a fé ‑do tamanho de um grão de mostarda .
Os crimes, as guerras, a pobreza, a má vontade, as “doenças in­curáveis” são o resultado final da falta de fé. A felicidade e a infeli­cidade dependem da nossa conduta, que por sua vez é controlada por nosso discernimento. A fé é o fundamento sólido sobre o qual se levanta o julgamento (discernimento).

Não devemos confundir este tipo de julgamento (discernimen­to) que é baseado na fé, com outra classe, que não o é. O julgamento que falha é o último.
Se vosso discernimento é falho, é porque não tendes fé, nem mesmo do tamanho de um grão de mostarda. A fé é o discernimento infinito, e se não conhecerdes a ordem majestosa do Universo Infi­nito, não tendes fé. Se tiverdes confiança apenas nas invenções dos homens, tais como leis, poderio, conhecimento, ciência, dinheiro, drogas e remédios, tendes fé somente na relatividade e não no In­finito. Sendo todo o discernimento relativo, transitório e sem valor, deveis, antes de mais nada, aplicar‑vos ao estudo da estrutura do Infinito, o Criador eterno.
Eis o motivo por que passei 48 anos como um simples intérprete da filosofia do Oriente, e por que escrevi este livro, que é um guia e um passaporte para o Reino da Saúde, da Liberdade e da Felici­dade, onde cada um é o seu próprio mestre, livre e feliz; nunca assalariado, nunca dependente. Os pássaros, os peixes, os insetos, os micróbios, assim como as ervas e as árvores, vivem nesse Reino plenamente satisfeitos, desconhecendo o medo da doença, da velhice ou da morte.

Sentir‑me‑ei muito feliz se puderdes utilizar este passaporte, mesmo que seja somente por 10 dias. Se decidirdes a sentir‑vos felizes, livres, cheios de saúde e independentes, através da observância das diretrizes de nossa filosofia, podeis entrar em contato comigo em qualquer época e em qualquer lugar. Responderei pelo telefone cha­mado “FÉ”.
No Reino da Vida, cada qual deve aprender tudo por si próprio. Não existem escolas, nem universidades, porque o próprio Universo Infinito é a escola eterna. Não há mestres, porque cada um deve aprender de todas as coisas e de todas as pessoas, dia e noite, sobre­tudo com um inimigo forte e cruel; sem inimigos, tornamo‑nos preguiçosos, fracos e estúpidos.
Este livro‑guia para a vida é mais do que suficiente, porque o mestre Oriental da Grande Escola ensina fazendo perguntas. Rara­mente dá respostas, a fim de fortalecer a habilidade do estudante de julgar por si mesmo. Na grande Escola da Felicidade e da Liberdade, o aprendizado é através da prática.



A teoria deve ser imaginada, ou improvisada e inventada pela intuição e pelo pensamento. Não é de admirar, portanto, que antes de eu vir para o Ocidente, nunca havia escrito um livro que respondesse a tantas perguntas, nenhum único volume desse tipo, entre mais de 300 livros que publiquei em japonês.

DEVEMOS GOZAR DE LIBERDADE INFINITA

Sendo o homem superior aos animais, deveria poder curar‑se melhor do que qualquer animal. Um homem que não pode curar‑se e que não pode alcançar a sua própria liberdade, felicidade e justiça absoluta, por si próprio e para si próprio, sem ser ajudado pelos ou­tros, ou por invenções e aparelhos mecânicos, está destinado a ser explorado e devorado pelos outros, para alimentar vermes e micró­bios. Não tem necessidade de ir para o inferno após a morte, pois já sua existência é um inferno vivo.
Os ensinamentos de todas as grandes religiões insistem sobre a importância de comer e beber corretamente. Um dos mais antigos códigos, o do Manu, (da Índia antiga), mostra‑nos um caminho muito prático, fisiológico e biológico, para estabelecer a felicidade e a paz na Terra. É realmente de pasmar. Não obstante, esta sabedoria não foi posta em uso, está esquecida.
Todos nascemos felizes. Se alguém não continua a sê‑lo, a culpa é sua, por ignorância violou, continua violando as leis do Universo. Se desejardes viver uma vida feliz, alegre e longa, tereis de fortalecer a vossa compreensão e desvelar o vosso julgamento Supremo pelo consumo de alimentos naturais, corretos. Este método foi ensinado por todos os homens livres, (os santos do Oriente) conforme indicam ‑os livros sagrados: a Bíblia, o Cânone do Imperador Amarelo, o I‑King, o Tao‑Té‑King, o Baghavad‑Gita e o Charak‑Samhita.

Eis aqui outra chave para a felicidade: se existir neste mundo uma só pessoa ou uma só coisa de que não possais gostar, jamais podereis ser feliz, e, se sois infeliz, estais enfermo, de corpo ou de espírito. Deveis curar‑vos sem dependerdes e sem usardes quaisquer artifícios. De outro modo, vossa cura será incompleta, porque per­destes vossa independência e vossa liberdade.

A FELICIDADE

Vossa felicidade, liberdade, justiça, saúde e alegria de viver de­vem ser cem por cento vossas. A saúde e a felicidade, que nos são dadas pelos outros, é uma divida que deverá ser paga, cedo ou tarde. De outra forma, sereis um escravo ou um ladrão.

Aqueles que nunca dizem “obrigado”, aqueles que muitas vezes dizem “obrigado”, mas nunca pagam o que devem; os que pensam que pagaram tudo o que devem, dizendo apenas “obrigado” ou “muito obrigado”, esses são infelizes. São mais indesejáveis e detestáveis do que um bandido. Sofrem até o último alento de suas vidas, porque sua existência é uma longa série de dividas.
Com efeito, não podereis, na verdade, reembolsar tudo o que deveis nesta vida, porque só tendes aquilo que deveis. Libertai‑vos-­eis, se distribuirdes alegria infinita e gratidão a todos os que encon­trardes em vossa vida. Isso implica em uma verdadeira compreensão da ordem do Universo Infinito e sua Justiça.
A terra devolve 10.000 grãos por um só que recebeu, “um por dez mil” é a lei biológica deste mundo, e todo aquele que a violar, não poderá viver feliz. Se não puderdes viver de acordo com esta lei, sois desventurado, sois um homem castigado e confinado na prisão denominada Doença, Miséria ou Dificuldade.

CADA UM DE NÓS DEVE SER O SEU PRÓPRIO MÉDICO

A medicina macrobiótica, da longevidade e do rejuvenescimento, é extremamente simples e econômica. Pode ser aplicada em qualquer tempo, em qualquer estágio da vida e sob quaisquer circunstâncias. É mais educativa do que curativa e depende inteiramente de vossa compreensão, de vossa vontade. Ela é, na verdade, o estudo do cami­nho que leva ao SATORI, auto‑realização e libertação. Este estado deve ser alcançado por vós mesmos.

Os muitos livros escritos com esse propósito, em todas as idades, são, em termos gerais, mais ou menos conceptuais. Não são práticos. São maravilhosos e muito bons para ler e recitar, mas muito difíceis de seguir na vida diária. Contrastando, a arte do rejuvenescimento e/ da longevidade, ‑ a Macrobiótica ‑ é prática, isto é, baseia‑se na experiência e, em particular, naquela que será vossa. Podeis descobri-­Ia por vós mesmos, pela completa e estrita observância de suas di­retrizes fundamentais, durante dez dias apenas.

Este volume acentua a importância da maneira correta de comer e beber. Se desejardes aprofundar vossa compreensão da filosofia em que se fundamenta a Macrobiótica, procurai ler “A Filosofia da Me­dicina do Extremo Oriente (o livro do discernimento)”.*

Publicado pela Associação Macrobiótica de Porto Alegre com o título "A Filosofia da Medicina Oriental" ‑ Leia comentário a respeito no final deste livro. (Nota da Editora).


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Macrobiótica Zen - Capítulo III

CAPÍTULO III

( Transcrição completa do Livro de George Ohsawa)


AS SETE CONDIÇOES ESSENCIAIS DA SAÚDE E DA FELICIDADE

Antes de seguir nas minhas orientações sobre o regime, convém examinar o vosso estado de saúde, segundo as sete condições se­guintes: As três primeiras são fisiológicas. Se as satisfizerdes, tereis 15 pontos., 5 para cada uma. Pela quarta, quinta e sexta, de natureza psicológica, deveis receber 10 pontos de cada; a sétima, a condição mais importante de todas, podeis obter 55 pontos. Ao todo, deveis totalizar 100 pontos. Se, de início, obtiverdes mais de 40 pontos, considerai‑vos em boa forma, e, se ganhardes 60 pontos em três meses, será um grande sucesso. E assim por diante. Começai, porém, fazendo este exame, antes de iniciardes o regime macrobiótico, e nova­mente no começo de cada mês. Desta forma podereis observar vosso progresso, segundo o rigor com o qual tiverdes aplicado o regime.
Tentai esse teste com os vossos amigos, e ficareis surpreendidos ao verificar que alguns deles, apesar de sua boa aparência, estão com péssima saúde.

1. AUSÊNCIA DE FADIGA

Não deveis sentir‑vos cansados. Se sois propensos a resfriados, isso quer dizer que o vosso organismo está cansado há muitos anos. Mesmo se apanhardes um resfriado de dez em dez anos, isto é um péssimo sinal, porque não existe pássaro nem inseto que apanhe resfriado, mesmo nos países frios. A raiz de vosso mal é, pois, muito profunda. Se fordes propenso a dizer seguidamente: “é muito difícil! “ ou “é impossível!” ou “eu não estou preparado para isto ou aquilo” pondes à mostra o grau de vosso problema. Se, na realidade, tivésseis boa saúde, poderíeis superimpor‑vos e desbaratar as dificuldades, uma após outra, como um cão perseguindo uma lebre. Se fugirdes, no entanto, das dificuldades maiores, sois um derrotista. Temos que ser aventureiros nesta vida, pois que o hoje avança sem parar no amanhã, o desconhecido, e quanto maior a dificuldade, maior o prazer. Esta atitude é sinal de libertação da fadiga que é a verdadeira causa de todas as doenças. Podereis curá‑las facilmente, sem medicamentos, se puderdes compreender e praticar corretamente o método macro­biótico de rejuvenescimento e longevidade.

2. BOM APETITE

Se não puderdes comer qualquer alimento simples com alegria, prazer e com profunda gratidão para com o Criador, é sinal que vos falta o apetite. Se achardes apetitoso um simples pedaço de pão inte­gral, ou um prato de arroz integral, isto indica que tendes um bom apetite e um bom estômago. Um bom apetite, inclusive o sexual, é a própria saúde.
O apetite sexual e sua prazerosa satisfação é uma condição es­sencial da felicidade. Se um homem ou uma mulher não têm apetite nem prazer sexual, é que ele ou ela são estranhos à lei da vida, ao Yin‑Yang. A violação desta lei por ignorância só poderá conduzir à doença e às perturbações mentais. Os puritanos são pessoas impo­tentes e, por isso, detestam a sexualidade e, como todos aqueles que são tristes e descontentes, interior ou exteriormente, não entrarão nunca no reino do céu.

3. SONO PROFUNDO

Se falardes dormindo ou tiverdes sonhos, vosso sono não é pro­fundo e bom. Ao contrário, se quatro a seis horas de sono vos sa­tisfizerem plenamente, vosso sono é saudável. Se não conseguirdes pegar no sono, três ou quatro minutos após terdes deitado a cabeça sobre o travesseiro, a qualquer tempo e em qualquer circunstância, significa que vossa mente não está livre de algum medo. Se não puderdes acordar na hora fixada mentalmente, ao deitar, indica que o vosso sono foi imperfeito.


4. BOA MEMÓRIA

Se não esquecerdes nada do que vistes ou ouvistes, é sinal de boa memória.
A memória é o fator individual mais importante de nossas vi­das, o fundamento de nossa personalidade, a bússola de nossa exis­tência. Sem uma memória robusta, sem um armazenamento de me­mórias as mais diversas, nada mais somos que máquinas cibernéti­cas. Por exemplo, crianças pequenas, fascinadas pelo fogo e incapazes de resistir ao impulso de tocá‑lo, terminam sofrendo quei­madura. A memória desta experiência em geral f az com que mani­pulem o fogo com cuidado durante o resto de sua vida.
Por conseguinte, o comportamento humano, para que não termi­ne ou resulte em desgraça, depende do julgamento sadio. O discerni­mento sadio, por sua vez, depende da experiência memorizada.
Como a capacidade de memorizar aumenta com a idade, é possí­vel melhorar a nossa memória infinitamente, mesmo ao ponto de não esquecer nada do que vemos ou do que ouvimos.
Poderemos, assim, evitar a sensação que sentimos quando não nos lembramos daqueles que foram bons para nós. Deveríamos imitar os bons ióguis, os budistas e os santos do Cristianismo, cuja memó­ria infinita capacitava‑os a visualizarem suas vidas anteriores.
Seguindo as indicações da Macrobiótica, podemos restabelecer e fortalecer, infinitamente, esta faculdade. Podeis constatar isso com uma pessoa diabética a quem a doença fez perder a memória. E não só os diabéticos, mas também os neurastênicos, os idiotas e os im­becis podem recuperar a memória de forma surpreendente. Conheci uma francesa, Mme. L., professora de filosofia, que, juntamente com o marido e os quatro filhos, seguiu o regime macrobiótico durante três anos, a fim de melhorar a sua memória, e, ao mesmo tempo, o seu estado geral de saúde. Para sua estupefação, sua filha mais velha, que era considerada por seus professores como retardada mental, tor­nou‑se a primeira da classe.

5. BOM HUMOR

Libertai‑vos da cólera! Um homem, com boa saúde, está livre da raiva, do medo, da doença ou do sofrimento e é alegre e agradável sob quaisquer circunstâncias. Tal homem será tanto mais feliz e en­tusiasta quanto maiores forem suas dificuldades e inimigos. A vossa aparência, a vossa voz, a vossa conduta e mesmo as vossas críticas devem provocar a gratidão e o bem‑estar de todos os que vos ro­deiam.
Cada uma das vossas palavras deve expressar a vossa alegria e a vossa gratidão, como o canto dos pássaros e o zumbido dos insetos ou os poemas de Tagore. As estrelas, o Sol, as montanhas, os rios e os mares, tudo vos pertence. Como poderemos existir sem sermos feli­zes? Deveríamos ser como uma criança quando recebe um belo pre­sente. Se não o formos, é porque estamos com péssima saúde e somos especialmente deficientes nesta quinta condição. Um homem com boa saúde nunca se encoleriza.
Quantos amigos íntimos tendes? Um grande número de amigos íntimos e variados, indica uma larga e profunda compreensão do Universo. Não conto aqui como vossos amigos, os vossos pais e vossos irmãos e irmãs. Um amigo é alguém a quem amais, admirais e res­peitais e que vos retribui de igual maneira e que vos ajuda a realizar os melhores sonhos custe o que custar, sem que lho peçais.
Quantos amigos de coração tendes? Se tendes poucos é porque sois exclusivista ou um triste delinqüente, e não tendes suficiente bom humor para tornar os outros felizes. Se, porém, tiverdes mais de dois bilhões de amigos íntimos, podeis dizer que sois amigo de toda a humanidade. Isto, porém, não é suficiente se considerais so­mente os seres humanos mortos ou vivos. Tereis que admirar e amar todos os seres e todas as coisas, mesmo as folhas da grama, os grãos de areia, as gotas de água. Eis aí o bom humor. O Dr. S. Margine disse: “Cada vez que estou na presença de uma obra da Natureza, sempre amo e admiro a simplicidade de sua manifestação.” Will Rogers também disse: “Nunca encontrei um homem de que não gos­tasse.” Se não conseguirdes fazer de vossa esposa ou de vossos fi­lhos amigos íntimos, isto prova que estais muito enfermo. Se não estiverdes sempre alegres sob qualquer circunstância, sois um cego que não vê nada deste mundo limitado da relatividade nem do Uni­verso Infinito, ambos cheios de maravilhas.
Se tendes qualquer queixa a formular, de ordem moral, mental, física ou social, mesmo insignificante, o melhor é vos fechardes em vosso quarto, como um caramujo na sua concha, e falar a vós mes­mos sobre a vossa tristeza. Se tiverdes poucos amigos íntimos e leais, seria prudente aceitar este meu conselho: tomai uma pequena colhe­rada de “gomásio” (semente de gergelim torrado e moído com dez a quinze por cento de sal marinho) a fim de neutralizar a acidez do vosso sangue. Podereis testar o valor desta minha sugestão em vos­sos próprios filhos: deixai de lhes dar açúcar, mel, chocolate, etc.. ., que acidificam seu sangue, e em uma semana ou duas, uma criança muito Yin (passiva, melancólica e infeliz) se tornará muito Yang (ativa e cheia de alegria).
As sementes de gergelim combinadas com o sal (quatro partes de sementes torradas e bem moldas para uma de sal marinho torrado bem moído) destroem os maus efeitos do açúcar em todo o organis­mo humano, muito especialmente no sistema nervoso e cerebral).
O óleo de gergelim do “gomásio” reveste cada partícula do sal e impede a sede. Penetra na circulação sangüínea e normaliza a hiperacidez do sangue. Lembrai‑vos: excesso de acidez e morte são a mesma coisa!
Raramente se encontram homens e mulheres de temperamento agradável. A grande maioria é doente, mas isenta de culpa porque não sabe como conseguir o bom humor. Ignoram do que devem ali­mentar‑se e como devem comer. Se estiverdes sinceramente conscientes da constituição maravilhosa do Universo, deveis estar plenos de infinita alegria e gratidão, e não podereis deixar de compartilhar com os outros. Oferecei bom humor, sorri e falai, com voz agradável,
a simples palavra “obrigado”, em todas as circunstâncias e tantas vezes quantas possível. No Ocidente diz‑se: “dai e recebei” (get and take)! Nós, no Oriente, porém, dizemos: “dai, dai e dai, tanto quanto puderdes!” Não perdereis nada em imitar‑nos, pois que recebestes a própria vida ‑ o Universo inteiro ‑ sem nada pagar. Sois o filho unigênito ou a filha, do Universo Infinito, que cria, anima, destrói e reproduz tudo o que necessitais. Se souberdes disso, tudo
vos será dada com abundância. Se tiverdes medo de perder vosso dinheiro ou vossa propriedade, praticando o princípio de “dar, dar, dar”, isto prova que sois doentes e infelizes, vítimas do esqueci­mento. Esquecestes completamente a origem de vossa fortuna e de vossa vida, do Universo Infinito; vosso julgamento (discernimento) supremo está parcial ou totalmente eclipsado, sois incapazes de ver a majestosa ordem da Natureza (“Universo Infinito”).
A cegueira do espírito é bem mais perigosa do que a cegueira física. Se doardes uma pequena ou uma grande parcela de vossa for­tuna, geralmente não fazeis segundo a máxima oriental de “dar, dar, dar infinitamente”. Estais aplicando o princípio ocidental do “dar e receber”, que é uma péssima camuflagem da teoria de todos os economistas ocidentais, que nada mais é do que um instrumento para justificar a colonização e a exploração, pela violência, de todos os povos de cor.
O “dar” oriental é o oposto, é um sacrifício, uma expressão de gratidão infinita e a compreensão de autoliberação de todas as dí­vidas. Sacrificar‑se significa dar mais o melhor daquilo que se possui. O sacrifício é um oferecimento ao amor eterno, à liberdade infinita e à justiça absoluta da vida. O verdadeiro sacrifício é o ato de dar alegremente nossa vida ou o principio onisciente, onipotente e onipresente da vida. É o ‑ SATORI ‑ autolibertação, (auto‑reali­zação).
Os muitos assim chamados “assistentes sociais”, provavel­mente os piores criminosos do Ocidente, dão somente os frutos da exploração e das doações. Dar o que se recebe dos outros não im­plica em nenhum sacrifício, faz‑nos lembrar Ali Babá, que dava o que antes havia roubado dos 40 ladrões.
Nossa mãe Terra dá‑se a si mesma infinitamente para alimen­tar a erva. A erva dá‑se a si mesma infinitamente para alimentar os animais. Os animais dão sua vida para tornar este mundo alegre, feliz e interessante, ano após ano. Mas a criatura humana é a única exceção; mata e destrói tudo porque o homem não se dá aos outros! Na Natureza, o que morre é transformado em nova vida.
O homem, por sua vez, deveria dar‑se para realizar o mais es­petacular milagre da criação: a liberdade infinita, felicidade eterna , justiça absoluta. Os que não compreendem isto, ou são escravos, doentes ou dementes.
Se fordes alegres e estimados por todos, seja onde for, dando sempre aos outros a maior e melhor coisa deste mundo, sereis a mais feliz das criaturas ‑ um entre milhões, que é capaz de expres­sar a maior alegria. Podereis conseguir isso, observando as diretri­zes macrobióticas. Encontrareis, então, os novos horizontes do país com o qual o homem sonha, de acordo com Toynbee, Shangrá e Erewhon, desde há mais de 300.000 anos. A medicina macrobiótica é real­mente, uma espécie de lâmpada de Aladim, um Tapete Voador, com o qual podeis realizar todos os vossos sonhos. Para consegui‑lo, deveis res­tabelecer, antes de mais nada, a vossa saúde, de modo a ganhar pelo menos 60 pontos, de acordo com as sete condições da saúde e da felici­dade.


6. RAPIDEZ E DINAMISMO DE RACIOCÍNIO E DE EXECUÇÁO

As pessoas que têm boa saúde devem possuir a habilidade de pensar, julgar e agir corretamente com rapidez, inteligência e clareza. A rapidez é a expressão da liberdade. Os que são rápidos e precisos, bem como os que estão prontos a responder a qualquer desafio, aci­dente, ou necessidade, gozam de boa saúde. Eles se destacam pela sua habilidade de pôr ordem em tudo e em toda parte. Isto se verifica no reino dos animais e das plantas. A beleza da forma ou da ação é uma expressão da compreensão da ordem do Universo Infinito. A saúde e a felicidade, a integridade e a santidade são igualmente manifes­tações dessa ordem, expressas na nossa vida quotidiana. Vida, Saúde Divindade e Eternidade são uma só coisa.

7. A NATUREZA DA JUSTIÇA

As pessoas que possuem compreensão total da justiça alcança­ram Satori, visto que justiça = saúde = discernimento supremo = unicidade = infinito _ Satori. Conhecem a filosofia do Extremo Oriente em toda a sua profundidade e alcançaram os 100 pontos in­tegrais de nosso teste de autovalorização. Se, no entanto, não atingistes esse nível, podeis ainda chegar aos 55 pontos, presumindo‑se que justiça não seja simplesmente uma concepção teórica, ou uma idéia, objeto de vossos sonhos. Se vos es­tiverdes movimentando ativamente no sentido de chegar a saber o
que ela representa, se cada dia que passa mais vos aproximardes a uma compreensão plena da Ordem do Universo, se sua intenção ou seu alvo consiste em conscientizar o mais profundo significado da Filosofia do Extremo Oriente, então apanhastes a natureza (o cará­ter) da justiça. Sua compreensão, em expansão, conduzir‑vos‑a à auto‑realização e merece 55 pontos. A natureza da justiça é revelada pela sua inclinação em viver de acordo com a ordem natural do Universo, pondo em prática o seu Princípio único, Yin‑Yang. Revela‑se pela sua tendência de reconhe­cer Yin e Yang em cada fenômeno, seja físico, mental ou espiritual, em cada aspecto ou atividade de vossa vida diária, como comer, be­ber, pensar, julgar, fazer, falar, comprar, vender, ler, caminhar e trabalhar.
Em outras palavras, deveis viver a lei biológica: De um grão dez mil grãos. Todos os vegetais e animais devolvem dez mil vezes mais do que recebem. A terra recebe um grão, a terra devolve dez mil grãos. Um bicho da seda, alimentado pelo homem, devolve centenas de milhares de ovos, mais dez mil jardas de fio de seda. Algumas fêmeas de peixes dão milhões de ovos. Essa é a lei natural biológica.
Se vossos pais vos deram a vida e vos alimentaram até atingirdes dez anos, tomai conta e cuidai deles infinitamente, dez vezes dez ­mil. Quando tiverem partido, ajudai aos pais de outros diretamente, através de vossa ação, ou indiretamente, por outros meios. Esta é a concepção oriental de ON,* que foi totalmente mal interpretado no Ocidente. Não se trata apenas da liquidação de uma divida. É muito mais do que isso. ON é alegria, a satisfação de poder distribuir, compartilhar infinita liberdade e eterna felicidade; é “(justiça” ou a absoluta alegria de viver.
Justiça à primeira vista, pareceria não ter conexão nenhuma com a dieta. Poderá parecer que a dieta, um costume, foi substituído por uma abstração inútil, semelhante às que têm atormentado outras filosofias por milhares de anos. Isso é puro engano, porque o alimen­to é justiça, e justiça é o alimento. Ambos são uma só coisa. Seguir a orientação macrobiótica, é chegar a conhecer a justiça; da mesma forma, conhecer a justiça é seguir a dieta macrobiótica, a Ordem da Natureza, ou da vida mesmo.
Desde que a Natureza nos tem provido de alimentos que são apropriados para os nossos corpos, poderemos conquistar a saúde, conhecendo‑os e usando‑os. Isto é Macrobiótica. A materialização da Ordem da Natureza em nosso comer e beber. Se vivermos de acordo com esta Ordem, teremos saúde como resultado; se a ignorarmos, a infelicidade e a doença provavelmente surgirão. A lógica é simples, clara e prática. É a verdadeira justiça.

ON = Ordem da Natureza.


É impossível realizar estas sete condições de saúde, sem observar estritamente o regime macrobiótico, que representa a essência de uma sabedoria com mais de cinco mil anos e que é simples e fácil.
Através dele podeis tornar‑vos o criador de vossa própria vida, saúde e felicidade, sem depender dos outros; podeis ser independentes e livres. Podereis curar não somente os vossos males físicos, mas também as vossas deficiências psíquicas, morais, mentais, com a Macrobiótica. Conheceis, porventura, um método melhor? Eu não conheço nenhum mais simples e direto. Se eu estiver errado me indique, estou pronto a segui‑lo e a abandonar o caminho biológico, fi­siológico e cosmológico, que leva da saúde à paz, e que eu sigo e pratico há mais de 50 anos.

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