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domingo, 12 de junho de 2016

Vegetarianismo X Ciência


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George S. G. Guimarães - 12 de dezembro de 2009
O vegetarianismo e a ciência vêm andando separados há muito tempo. Há entre os dois uma barreira que, se rompida, pode trazer muitos benefícios para ambos.
Em primeiro lugar, vejamos onde estiveram a ciência e o vegetarianismo nos últimos tempos. Eu falo da ciência como sendo aquela nobre arte de descobrir e validar a verdade onde quer que ela se encontre e onde quer que ela nos leve. Eu não falo da forma em que ela muitas vezes se apresenta, a instituição que procura preservar-se a qualquer custo, mesmo que isto signifique ignorar seus princípios básicos, dos quais faz parte o compromisso com a verdade.

É um fato que a maioria das pessoas na comunidade científica fazem uma expressão de desinteresse e repúdio quando a palavra “vegetarianismo” aparece em sua frente. Verdade também é que os vegetarianos não se sentem muito confortáveis quando a “ciência” vem investigar seus hábitos. Assistindo a este quadro, a ciência (do segundo tipo) diria que não há interesse em investigar tamanho absurdo e que o vegetarianismo não simpatiza com sua presença porque ele está fundamentado em princípios filosóficos e não científicos. O vegetarianismo, ao mesmo tempo, diria que a ciência não lhe é pertinente porque ele já possui todo o conhecimento de que necessita e que a ciência nunca poderia compreender seus princípios.

Parece que há muito a ser investigado e compreendido por ambos os lados.
Identificando as Barreiras
A “Ciência”, em sua forma mais comumente vista, parece concentrar-se em descobrir poções mágicas para curar doenças, ao invés de investigar como a natureza por si própria oferece meios para prevenir estas mesmas. Trata-se de desafiar e tentar controlar a natureza ao invés de compreendê-la. Trata-se de descobrir um novo gene supostamente responsável por uma nova doença, ou ainda outra substância química supostamente capaz de atacar e destruir o tecido doente.
O resultado é o acúmulo de uma grande quantidade de informações que não têm valor até que sejam colocadas em uma perspectiva mais ampla e abrangente e é nesta última etapa que a ciência falha. A compreensão do quadro geral é trocada pela venda de “curas instantâneas” que advêm da proposta de que a humanidade possui a suprema habilidade de conquistar e controlar a natureza.
O vegetarianismo, por outro lado, possui esta visão mais ampla. Porém, é baseado em diferentes princípios filosóficos e é por este motivo muitas vezes tido como empírico pela ciência racionalista. Para muitos vegetarianos, a verdade só é reconhecível quando apresentada da forma já conhecida, tendo o absolutismo como a principal forma de pensar.
O principal problema com ambos os lados é que suas atitudes são excessivamente dogmáticas. Ambos buscam estarem certos, ignorando completamente o ponto de vista do outro. É esta barreira que acaba por nos privar de valiosos conhecimentos.
O Próximo Passo
Se a ciência passar a reconhecer e compreender o conceito do vegetarianismo todos se beneficiarão. Alguns cientistas (do primeiro tipo) já vêm a algum tempo conduzindo estudos que nos trazem uma enorme quantidade de evidências que suportam o valor do vegetarianismo para a saúde. Trata-se apenas de sintetizar estas evidências e reconhecer o novo horizonte que se abre para o mundo da saúde.
Os motivos filosóficos que levaram alguns vegetarianos a adotarem seus hábitos não devem ser necessariamente relevantes, pois a evidência continua existindo.
Para que esta relação entre a ciência e o vegetarianismo possa existir deve-se ainda responder às seguintes perguntas:
- Será que as pessoas estão dispostas a investigar hipóteses que contrariam suas preferências pessoais de alimentação e estilo de vida?
- Será que as pessoas evitam refletir sobre idéias que não suportam suas opiniões e hábitos pessoais?

Uma vez dada uma chance de se conhecerem os fatos científicos que suportam uma dieta baseada exclusivamente em produtos de origem vegetal, tornam-se claros os benefícios que se derivam de tais hábitos alimentares.
Mas ainda há muitos detalhes a serem investigados. A ciência deve estar com a mente aberta para entender o vegetarianismo. Isto quer dizer estar disposta a estudar as diversas maneiras pelas quais a nutrição afeta nosso metabolismo, nossa resistência às agressões externas e nossa saúde mental e espiritual. Estas são questões complexas que têm no vegetarianismo muitas de suas respostas.
Não é aceitável que se fique preso a conhecimentos antigos somente porque estes estão ao nosso redor por mais tempo ou porque estes satisfazem melhor nossas preferências pessoais. Parece sensato produzir e tornar disponível um tipo de informação que traz benefícios para a saúde de todos.

George S. G. Guimarães ,é nutricionista especializado em dietas vegetarianas. Vegetariano desde os quatro anos de idade e vegano há 14 anos, dirige a NutriVeg Consultoria em Nutrição Vegetariana, dedicando-se ao aconselhamento de pacientes vegetarianos em seu consultório enquanto colabora com instituições de ensino e pesquisa. Ministra cursos e palestras sobre nutrição vegetariana em universidades e para o público em geral no Brasil e no exterior. É docente da primeira disciplina de nutrição vegetariana na pós-graduação da UNASP e tem trabalhos publicados em revistas científicas de alcance internacional. Com participação assídua em congressos científicos e conferências no exterior e tendo publicado uma centena de artigos, é tido pelo público vegetariano e pela imprensa nacional como a principal fonte sobre o tema da nutrição vegetariana, tendo concedido nos últimos 12 anos mais de 400 entrevistas à imprensa.


Também dirige as duas unidades do VEGETHUS Restaurante Vegetariano, o mais antigo restaurante vegano do Brasil e é um ativista de destaque dentro do movimento de defesa animal. Desde 2006 preside o VEDDAS (Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade), grupo que vem ganhando destaque no movimento de defesa animal por suas ações e campanhas de efeito. Seja em seu consultório, na sua colaboração em estudos científicos, nos restaurantes que dirige ou à frente de campanhas pelos direitos animais, todas as suas atividades são voltadas à difusão e argumentação científica em favor da nutrição vegetariana e do veganismo. É colunista da ANDA.
Fonte: Site Syntonia

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